Lula leva 'apoio' a Evo Morales a 10 dias de referendo

O encontro do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o colega da Bolívia, Evo Morales, nesta quinta-feira, a dez dias do plebiscito que ratificará ou não a nova Constituição boliviana, é interpretado por setores dos dois governos e da oposição boliviana como "apoio político" a Morales.

"Aqui entendemos que a visita de Lula ajuda o presidente Morales nesta hora", disse um assessor do Ministério boliviano.

"Não tenha dúvidas que é gesto de apoio político", disse uma fonte brasileira.

Pesquisas de opinião indicam que a proposta de Morales deverá sair vitoriosa nas urnas no referendo do dia 25, mas cartazes com "não" estão expostos em vários pontos de Santa Cruz de La Sierra, capital do departamento (estado) de Santa Cruz, e reduto da oposição a Morales.

O encontro desta quinta-feira entre Lula e Morales foi definido no ano passado, quando o presidente boliviano já liderava a campanha pelo "sim" à nova Constituição.

Corredor
Os dois presidentes vão inaugurar dois trechos do corredor bioceânico, na localidade boliviana de Arroyo Concepción, no departamento de Santa Cruz.

Os trechos que serão inaugurados são desse local até El Carmen e de lá a Roboré, na Bolívia.

Segundo organizadores do evento, Morales estará acompanhado por vários ministros, entre eles Carlos Villegas, do Planejamento, que participou na última sexta-feira, em Brasília, da reunião que levou o governo brasileiro a voltar a aumentar a compra de gás da Bolívia.

Lula estará com os ministros da Indústria e Comércio, Miguel Jorge, da Defesa, Nelson Jobim, da Justiça, Tarso Genro, das Minas e Energia, Edison Lobão, e o assessor especial da presidência Marco Aurélio Garcia.

Lobão e Garcia também participaram da reunião sobre o gás, na semana passada. E a expectativa, segundo assessores de Morales, é que ele e seus ministros possam falar sobre a preocupação de que o Brasil volte a reduzir esta compra, como ocorreu este ano.

Estradas
Oficialmente, Lula e Morales vão falar sobre estradas e investimentos brasileiros na Bolívia, além do combate conjunto ao narcotráfico - assuntos que já vinham sendo tratados entre eles.

Assessores do governo boliviano dizem esperar que o Brasil tire do papel promessas de investimentos, com recursos do BNDES, para obras de infra-estrutura na Bolívia.

Sobre o gás, do lado brasileiro, existem dois argumentos técnicos.
O Brasil quer esperar que a queda no preço do petróleo tenha reflexo no preço do gás comprado da Bolívia, o que só ocorreria, provavelmente, a partir de abril, e aí, então, poderia ser ampliada, de novo, a quantidade deste combustível importado.

Ao mesmo tempo, afirma-se no lado brasileiro, o mínimo de 24 milhões de metros cúbicos, estipulado no contrato, é uma média anual. Por isso, apesar da redução no início de janeiro, o Brasil poderia voltar a equilibrar essa equação ao longo do ano.

Do lado boliviano, como afirmaram assessores do Ministério de Hidrocarbonetos, o preço do gás vendido ao Brasil "continua defasado" em relação ao preço de mercado.

Decisão 'política'
Na semana passada, numa decisão "política", como afirmou Marco Aurélio Garcia na ocasião, o Brasil aumentou a quantidade de gás importada da Bolívia.

O setor técnico tinha afirmado que a redução da compra do gás havia ocorrido porque as hidrelétricas brasileiras estão com reservatórios cheios, depois das chuvas, evitando-se o uso das termoelétricas - movidas a gás boliviano.

Após o encontro em Arroyo Concepción, os presidentes atravessam a fronteira e Lula receberá Morales numa cerimônia oficial, no Sexto Distrito Naval, em Corumbá, no Mato Grosso do Sul.

Lula e Morales terão uma reunião privada, de acordo com a agenda oficial.

Lula depois embarca, ainda nesta quinta-feira, de Corumbá para Caracas, na Venezuela.

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