Ofensiva em Gaza se intensifica, apesar de 'avanços' diplomáticos

A ofensiva israelense na Faixa de Gaza deu sinais de que está se intensificando na madrugada desta quinta-feira, ao mesmo tempo em que Israel avaliou como positivas as negociações para um cessar-fogo que estão ocorrendo no Egito.

O Exército israelense confirmou ter realizado ataques a 70 alvos em Gaza. Além disso, há informações de que as tropas do país estão avançando na Cidade de Gaza, com intensos confrontos entre soldados e militantes palestinos em áreas residenciais.

Fontes dos serviços de saúde de Gaza dizem que pelo menos de 1.028 pessoas morreram desde o início da ofensiva, há 20 dias - cerca de 30% delas são crianças.

Nesta quinta-feira, o principal negociador de paz israelense, Amos Gilad, chega ao Cairo para conversas com o governo egípcio. Na quarta-feira, representantes do Hamas estiveram no país e disseram ter avançado nas negociações.

Situação humanitária Segundo o correspondente da BBC em Jerusalém Tim Franks, Israel quer ouvir mais detalhes sobre uma proposta dos governos egípcio e americano para selar a fronteira entre Gaza e o Egito e evitar o contrabando de armas para dentro do território palestino.

Já o Hamas fez algumas exigências para concordar com um cessar-fogo, como a rápida retirada das forças israelenses e a reabertura das fronteiras de Gaza com Israel, diz Franks.

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, se encontra nesta quinta-feira com líderes israelenses em Tel Aviv.

Demais diplomatas envolvidos nas negociações estão preocupados também com a situação humanitária na Faixa de Gaza, mesmo se o conflito acabar.

O enviado da ONU para os territórios palestinos, Richard Falk, acusou Israel de crueldade por ter "trancado" civis em uma zona de conflito e não ter permitido a saída deles como refugiados.

O grupo internacional Free Gaza ("Libertem Gaza", em tradução livre) disse que um barco enviado ao território palestino, carregado de medicamentos, foi interceptado por cinco navios da Marinha israelense ainda em águas internacionais e obrigado a voltar para o Chipre, de onde tinha partido na quarta-feira.

Sob fogo Na quarta-feira, testemunhas disseram à BBC e à organização de defesa dos direitos humanos israelense B'tselem que soldados israelenses estão atirando em civis que tentam fugir das áreas de conflito, mesmo quando acenam com "bandeiras brancas".

Segundo um dos relatos, soldados teriam atirado em duas mulheres que deixaram sua casa carregando peças de roupa branca, em um grupo que tinha ainda crianças pequenas.

A BBC também conversou com uma família que diz estar isolada em sua casa há dez dias e cujos membros sofreram disparos quando tentaram sair para buscar água e alimentos, mesmo durante as três horas diárias de trégua estabelecidas por Israel. Pelo menos 17 crianças com idades entre seis semanas e 15 anos estariam no local.

Outra família perdeu quatro pessoas - inclusive uma mulher e um idoso - quando tentou sair de casa após ouvir um alerta do Exército israelense para que fosse a uma escola próxima.

O governo israelense nega as acusações, dizendo que elas não têm fundamento.

Como jornalistas estrangeiros e observadores de defesa dos direitos humanos estão impedidos por Israel de entrar em Gaza, não é possível confirmar os relatos nem confirmar o número de mortos.

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