Israel mantém ataques apesar de expectativa por trégua

O Exército israelense lançou 50 ataques aéreos contra a Faixa de Gaza na noite deste sábado, em meio às expectativas de que o governo aprove uma trégua unilateral e ponha fim à incursão no território palestino.

Um dos bombardeios atingiu uma escola das Nações Unidas em Beit Lahiya, no norte de Gaza, onde mais de mil pessoas estavam abrigadas. Duas crianças morreram. Um porta-voz do ministério do Exterior israelense, Yigal Palmor, disse que militantes do grupo palestino Hamas estão usando prédios onde civis estão abrigados para lançar ataques contra Israel.

O porta-voz voz Agência de Ajuda da ONU aos Refugiados Palestinos (UNWRA, na sigla em inglês), Chris Gunness, pediu uma investigação para apurar se a incursão israelense em Gaza deve ser considerada como "crime de guerra".

O representante do Hamas no Líbano, Osama Hamdan, reagiu neste sábado à notícia de que Israel poderá declarar trégua em Gaza, dizendo que o grupo "manterá os confrontos se suas exigências não foram atendidas".

"Ou temos o que estamos pedindo ou o resultado será a continuação do confronto", disse ele em Beirute. O Hamas insiste que um cessar-fogo precisa incluir a retirada das tropas israelenses de Gaza e uma suspensão imediata do bloqueio imposto por Israel ao território.

A proposta egípcia, que Israel deve analisar esta noite, obriga o Exército israelense a suspender seus ataques por dez dias, mas lhe dá o direito de permanecer em Gaza e manter as passagens fronteiriças fechadas.

"Ato final" Na sexta-feira, o porta-voz do governo de Israel, Mark Regev, disse que houve progresso suficiente nas conversações na capital egípcia, Cairo, para que Israel aceite um cessar-fogo na Faixa de Gaza. "A diplomacia está agora em marcha acelerada. Espero que estejamos entrando no ato final (da ofensiva)", disse Regev. "Esperamos que isso termine o mais rápido possível." As principais exigências de Israel são o fim do lançamento de foguetes por militantes palestinos em seu território, e a criação de mecanismos que impeçam o contrabando de armas do Egito para a Faixa de Gaza. Os israelenses temem que o grupo militante palestino Hamas volte a se armar no caso de um cessar-fogo na região.

Esta segunda exigência pode ter sido atendida com um acordo fechado mais cedo entre Israel e os Estados Unidos.

A ministra das Relações Exteriores de Israel, Tzipi Livni, e a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, assinaram um memorando de entendimento em Washington no último dia de Rice no cargo, que determina medidas de cooperação em inteligência e logística entre os dois países para cortar o envio de armas para Gaza. O documento, que ainda não teve todos os seus detalhes revelados, também enfatiza a necessidade de medidas de cooperação internacional e regional para evitar que armas também cheguem a Gaza por via marítima.

Sofrimento A secretária de Estado americana afirmou que os Estados Unidos estão procurando "colocar um fim no sofrimento dos palestinos atingidos pelos conflitos entre o Hamas e Israel".

"Os Estados Unidos continuam profundamente preocupados com os palestinos inocentes que estão sofrendo em Gaza", disse Rice. "Um fim sustentável das hostilidades - no lugar de um que entre em colapso em poucos dias ou semanas - é crucial para acabar com este sofrimento." Fontes dos serviços de saúde palestinos dizem que pelo menos 1.107 pessoas morreram e 5,1 mil ficaram feridas desde o início da ofensiva, em 27 de dezembro. Do lado israelense, 13 pessoas morreram, sendo três delas civis, segundo o Exército do país.

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