Hamas diz manter sua capacidade de atacar Israel

O Hamas manteve intactas suas bases de lançamento de foguetes e continuará desenvolvendo sua capacidade para atacar Israel, segundo afirmou nesta segunda-feira um porta-voz da facção militar do grupo radical palestino.

A declaração desafiadora foi feita após o estabelecimento de um cessar-fogo, anunciado no fim-de-semana, após 22 dias de ataques de Israel contra a Faixa de Gaza, com um saldo de mais de 1.300 palestinos e 13 israelenses mortos.

Israel iniciou ainda no domingo a retirada de suas tropas da Faixa de Gaza. O premiê de Israel, Ehud Olmert, disse que a retirada será feita "o mais rapidamente possível".

Segundo Israel, os objetivos da operação militar em Gaza, de interromper os ataques com foguetes promovidos pelo Hamas contra o território israelense, foram atingidos.

Mas o porta-voz da facção militar do Hamas, Abu Ubaida, declarou vitória no conflito e disse que apenas 48 dos membros do grupo foram mortos durante a operação israelense.

Israel afirma que mais de 500 membros do Hamas teriam sido mortos durante as operações, iniciadas no dia 27 de dezembro.

"Anunciamos ao nosso povo a martirização de 48 combatentes", afirmou Ubaida.

Exigência O porta-voz repetiu a exigência do Hamas para que Israel conclua sua retirada de Gaza em no máximo uma semana e disse que todas as opções estão em aberto caso o prazo não seja cumprido.

"Demos ao inimigo sionista uma semana para se retirar da Faixa de Gaza, e se não cumprirem nós buscaremos a resistência", afirmou o porta-voz.

Segundo ele, o arsenal do Hamas se manteve intacto apesar dos ataques israelenses. "Nosso arsenal de foguetes não foi afetado, e continuamos a dispará-los durante a guerra, sem interrupção. Ainda somos capazes de lançá-los e, graças a Deus, nossos foguetes atingirão seus alvos", afirmou.

Israel diz ter conseguido destruir a maior parte do arsenal do Hamas e ameaça promover uma nova operação contra a Faixa de Gaza caso identifique o contrabando de armas para a região para abastecer o grupo palestino, "Façam o que quiserem. A fabricação de armas sagradas é nossa missão e sabemos como adquirir armamentos", afirmou Ubaida.

No domingo, após anunciar um cessar-fogo por uma semana, o principal líder do Hamas em Gaza, Ismail Haniya, disse que "Israel não conseguiu atingir seus objetivos" e declarou vitória no conflito.

"Deus nos deu uma grande vitória, não para uma facção, ou partido, ou área, mas para todo nosso povo", afirmou ele em um discurso transmitido pela TV do Hamas.

Calma Com o início da trégua, que aparentemente vem se mantendo, com a primeira noite de calma na região após mais de três semanas, a escala da devastação provocada pelos ataques começa a ficar mais clara.

Segundo o chefe da UNWRA (agência da ONU para refugiados palestinos), John Ging, cerca de meio milhão de pessoas estão sem água na região desde o início do conflito, e um grande número de pessoas também está sem energia elétrica.

Além disso, cerca de 4.000 casas foram destruídas, deixando milhares de pessoas sem-teto.

O porta-voz do governo israelense Mark Regev disse que as passagens de fronteira seriam reabertas ainda nesta segunda-feira para permitir a passagem de ajuda humanitária para Gaza.

Segundo a correspondente da BBC em Jerusalém Bethany Bell, muitos palestinos ainda enfrentam a escassez de alimentos, de remédios e de combustível.

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