Árabes e israelenses esperam Obama com otimismo e cautela

Israelenses e árabes aguardam o início do governo de Barack Obama nos Estados Unidos com esperança de que Washington se envolva mais com os esforços pela paz no Oriente Médio.

Segundo analistas, as expectativas em relação à era Obama na região aumentaram devido ao recrudescimento do conflito na Faixa de Gaza entre Hamas e Israel.

"Obama terá a difícil missão de reverter a percepção árabe de que as administrações americanas sempre se colocaram ao lado de Israel. Isso sempre minou a credibilidade dos Estados Unidos como mediador neutro", disse Imad Salameh, professor de Ciência Política da Universidade Libanesa Americana.

Segundo o professor, o conflito árabe-israelense é um tema central para a região e as expectativas em torno do novo presidente são enormes por um esforço que traga estabilidade e paz duradoura no Oriente Médio.

Céticos
Entretanto, o conflito em Gaza aumentou a desconfiança dos árabes em geral com relação à Obama.

"O suporte irrestrito dado a Israel durante o conflito fez com que árabes duvidassem do slogan de Obama sobre mudanças", falou o professor à BBC Brasil.

Salameh salientou que o mundo árabe quer acreditar em Obama, em uma virada histórica e em uma nova relação com a região. Ele advertiu, entretanto, que "é uma esperança bem cética, e Gaza só aumentou estas dúvidas com o novo presidente".

O analista político Rami Khoury, em artigo publicado no jornal libanês The Daily Star, disse que "a guerra em Gaza veio em má hora para Barack Obama, e seu silêncio em falar sobre o conflito só prejudicou sua imagem".

Khoury também disse que árabes querem ver uma nova política americana voltada para uma visão considerando os dois lados, e não somente "atender ao poderoso lobby israelense na política externa dos Estados Unidos".

Caminhos
Israelenses também se mostram pouco otimistas em relação a uma nova política para trazer um acordo duradouro entre israelenses e palestinos.

Em artigo no jornal israelense Haaretz, o analista Shlomo Avineri disse que há muitas propostas na mesa para Obama lidar com o conflito entre Israel e os árabes.

Mas ele não sabe se o novo presidente conseguirá de fato lidar com anos de desconfiança entre os dois lados.Porém, segundo ele, os israelenses estariam cansados de anos de conflitos e esperançosos por uma solução que trouxesse uma paz.

"Mas a realidade para Obama é que ele deve investir todos os seus esforços em achar caminhos para criar mecanismos de confiança mútua entre palestinos e israelenses", disse Avineri em seu artigo.

O próprio Haaretz em seu editorial disse que Obama é a esperança de muitos na região para que ele reconciliasse os israelenses com sírios e palestinos.

Obamania
Mas a posse de Obama sem dúvida criou um novo ambiente, mesmo com o conflito em Gaza, que reacendeu sentimentos anti-americanos na região.

"Há uma Obamania nas capitais árabes sem dúvida. Eu, como muitos libaneses e árabes, acredito que algo pode mudar", disse o advogado libanês-americano Karim Chammas à BBC Brasil.

Para ele, os episódios em Gaza mancharam a imagem de Obama antes mesmo que ele tomasse posse.

"Mas vamos dar uma chance a ele e julgá-lo depois de seu trabalho, não antes", enfatizou Chammas.

Pelo mundo árabe, vários restaurantes e bares colocarão telão para a posse de Obama.

Em Beirute, um grupo de libaneses-americanos organizou um evento para que as pessoas pudessem assistir a posse em um telão. Parte da entrada será revertida para as vítimas de Gaza.

"Eu tenho fé que Obama fará algo diferente em relação ao Oriente Médio. Acho que sempre devemos acreditar, ele terá sua chance de mostrar que poderá fazer a diferença", disse o engenheiro civil Mohamed Najem.

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