Mensagem de Obama faz público desafiar frio e filas

Um herói, palmas, lágrimas, um frio glacial, vaias, polícia por todos os lados, milhões de figurantes, um vilão, um final feliz e um começo animador. Os vários elementos da posse de Barack Obama dariam para preencher um filme épico. O herói seria Obama com um discurso descrito como empolgante e histórico. Os milhões de figurantes, a platéia, vinda não apenas de diferentes partes dos Estados Unidos, mas até de nações tão díspares como a Rússia ou o Quênia. O vilão, na visão de muitos dos presentes, seria o líder que se despediu da Presidência americana, George W. Bush. A menção ao nome dele durante o pronunciamento de Obama despertou vaias e apenas algumas palmas protocolares.

Ao final do discurso, quando um helicóptero que muitos julgavam transportar Bush sobrevoou a platéia, alguns exclamaram: "Tomara que caia!" ou "Vou fazer uma saudação para ele, mas com um só dedo".

Bloqueios O frio intenso, com temperaturas abaixo de zero e sensação térmica de até 10º negativos, ajudava a reforçar a dramaticidade do evento e testar o estoicismo dos presentes. O mesmo pode ser dito a respeito das longas filas e dos bloqueios aparentemente sem sentido promovidos por oficiais de segurança. Quando se chegava a um posto de controle em uma rua, policiais ou agentes do serviço secreto explicavam que aquela entrada era só para quem iria assistir ao desfile e que para se chegar perto do Capitólio, onde Obama discursou, era preciso se dirigir à rua paralela.

Ao se chegar ao local indicado, as autoridades mandavam os presentes de volta ao lugar de onde partiram. Tais cenas se repetiam sucessivamente nas horas que antecederam o discurso do novo presidente, fazendo da chegada ao Washington Mall, o parque que abrigou a multidão de milhões de pessoas que assistiu ao evento, um verdadeiro calvário.

Muitos portadores de ingressos apelavam aos policiais para que pudessem ultrapassar as barreiras, mas os pedidos eram ignorados, uma vez que eles diziam estar atendendo a ordens do Serviço Secreto. Emoção Mas o público parecia quase que indiferente aos inúmeros contratempos. Como a jovem Giovanni Price, que chegou ao Washington Mall, o local em que o público se reuniu para ver o discurso, às 2h da manhã. ''Ficamos perambulando por aqui sem dormir, nem nada. Mas a gente não se importa. Viemos aqui apoiar Obama.'' A afro-americana Giovanni disse que nunca imaginou que um dia veria um negro chegar à Casa Branca. "Sempre ouvimos nossos avós falarem sobre as batalhas que eles enfrentaram, É impressionante", contou, com a voz embargada e sem conter as lágrimas. As lágrimas correram com facilidade para muitos afro-americanos, a julgar pelo relato de Mona Thornton, de 57 anos. "Chorei na noite em que ele foi indicado candidato a presidente, quando ele venceu a eleição e quando (o pastor) Rick Warren deu início à oração que antecedeu o juramente de Obama", contou Mona.

Boa sorte Mas o apelo de Obama esteve longe de se limitar aos afro-americanos presentes na platéia, como mostrou a jovem Masha Egorienko, de 16 anos, natural da gélida Sibéria, na Rússia, e que vive nos Estados Unidos.

"Eu compreendo o alcance que ele exerce sobre as pessoas, e sinto uma certa conexão com ele. Os pais de Obama se conheceram quando estavam tendo aulas de russo. Tudo começou ali", afirma Masha.

A jovem russa se espelha até nas opções de estudo de Obama. ''Pretendo fazer relações internacionais, como ele, e quero ir trabalhar na ONU.'' Entre as diversas nacionalidades presentes no Washington Mall, os que mais pareciam compartilhar da vitória de Obama eram os quenianos, afinal, o pai de Obama nasceu no Quênia.

"A vitória dele não é uma conquista apenas para os americanos, mas para os quenianos e o mundo inteiro", afirmou o empresário Paul Abuto, natural do Quênia, mas que atualmente reside nos Estados Unidos.

"A conquista de Obama nos deixou orgulhosos, faz nos sentirmos parte do mundo".

Uma outra jovem queniana fez questão de exibir à BBC Brasil a bandeira que trouxe do Quênia, de onde veio especialmente para a posse. A bandeira trazia uma inscrição em suaíle, desejando boa sorte ao novo presidente americano.

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