Na taba de Obama

Nunca houve uma Casa Branca como esta e não é uma questão de cor. A tribo do presidente é imensa - ele mesmo é descendente do chefe curandeiro de uma tribo na beira do lago Vitória que tinha parentes e filhos de outros casamentos. E há os parentes da mulher Michelle, espalhados pelo país e pelo mundo.

Muitos estavam em Washington na terça-feira e alguns que não vieram mandaram presentes. Da avó adotiva, o presidente ganhou um mata-mosca feito com rabo de boi, um símbolo de poder no Quênia, mas o foco, além do casal e das duas filhas, estava na sogra, Marian Robinson, de 71 anos.

A mãe de Michelle vai morar com a família na Casa Branca, e não é o prazer dela. Foi insistência do primeiro casal. Por ela, não sairia do modestíssimo apartamento na área pobre de Chicago onde criou a filha e o filho, que entraram nas melhores universidades do país.

Foi ela quem segurou a barra do casal durante a campanha. Levava as meninas para a escola, para aulas de piano e dança, preparava a comida e as levava para a cama. Os Obamas limpavam a própria casa e preparavam suas refeições. Nunca tiveram uma cozinheira nem empregada fixa. Mamma Robison voltou aos livros de escola para ajudar as meninas nos deveres de casa.

A sra. Robinson é chegada numa galinha frita, contrária as dietas modernas e à ciência. Com mais de 60 anos disputava as corridas de 50 e 100 metros dos sexagenários de Chicago. Parente residente na Casa Branca não é novidade. O sogro de Ulysses Grant morava com o genro e brigava com outros parentes. Era um velho chato. A sogra de Truman era mais insuportável que o sogro de Grant. Dizia sempre que conhecia pelo menos uma dúzia de homens mais competentes que o genro para ser presidente da República e que ele só chegou ao poder graças a sua mulher, Bess.

Amy Carter, filha do presidente Carter, era tímida e detestava morar na Casa Branca, mas o irmão Chip fazia sucesso nas rodas de rock, namorou Linda Ronstadt e levou Willie Nelson para fumar maconha numa das varandas da casa.

Carter mantinha distância do irmão Billy, que bebia e urinava em público, e Bill Clinton também não gostava da companhia do irmão Roger, traficante de cocaína, mas Johnson adotou uma política diferente com o irmão difícil. Foi obrigado a morar com o presidente porque era a única maneira de controlá-lo.

Quando chegava em casa punha os punhos como se estivesse algemado. Era como entrar na prisão.

Jack, filho do presidente Ford, quase foi flagrado em plena transa quando a mãe, orgulhosa, exibia a casa para a jornalista Barbara Walters.

Michelle disse que a Casa Branca vai ser a casa do povo com concertos de jazz, música clássica, serões literários, recepções, à la Kennedy. Vai ser o Obamalot, uma referência ao Camelot, dos cavaleiros americanos da Távola Redonda.

Mamma Robinson não é chegada a badalações e pretende passar mais tempo com as netas no segundo andar.

O casal Obama já tentou impor o limite de uma hora por dia de TV e toque de recolher às 8h30. A vovó disse "bobagem". Muito pouco e muito cedo. Neste departamento a sogra manda e o casal obedece sem brigas. O presidente é chegado na Mrs. Robinson. No momento em que a vitória dele foi anunciada pelas redes nas eleições presidenciais, era ela quem estava de mãos dadas com ele no sofá, diante da TV. Here's is to you, Mrs Robinson. God bless you.

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