Bolívia estatiza petroleira a dois dias de referendo

A dois dias do referendo sobre uma nova Constituição na Bolívia, o presidente do país, Evo Morales, anunciou nesta sexta-feira a nacionalização da empresa petroleira Chaco, cujo principal acionista é uma companhia controlada pela britânica British Petroleum (BP) e pelo grupo argentino Bridas.

A decisão foi anunciada depois do fracasso de uma tentativa de acordo entre a empresa Pan American Energy (PAE) - formada pela BP e pelo Bridas e dona de pouco mais de 50% das ações da Chaco - e a YPFB, a estatal boliviana do setor petrolífero.

Minutos após o anúncio, representantes da oposição, concentrados na cidade de Santa Cruz de la Sierra, acusaram Morales de transformar a nacionalização da Chaco em um ato de campanha, "apelando aos sentimentos nacionalistas", às vésperas do referendo constitucional. Morales fez o anúncio nas instalações da Chaco, na cidade de Entre Ríos, e comentou que "todas as empresas petroleiras que não cumprirem as regras da Bolívia vão ser nacionalizadas".

"Queremos sócios, e não patrões", afirmou, usando uma frase que já havia empregado anteriormente em anúncios de nacionalização.

Decisão anunciada No entendimento dos analistas do setor, a medida de Morales leva o governo a ser dono de 100% das ações da empresa. O presidente havia anunciado a nacionalização da empresa no dia 1º de maio do ano passado, mas iniciou uma negociação na época para que o Estado comprasse as ações e assumisse o controle da petroleira. O objetivo era chegar a um acordo pelo qual o governo da Bolívia pagaria para "recuperar" ou "reestatizar" a empresa.

No entanto, segundo a imprensa local, a PAE não teria aceitado as condições de pagamento impostas pelo governo e, por isso, o acordo fracassou.

A PAE é a representante da BP no cone sul e fez uma aliança com o grupo Bridas na região.

"A partir deste momento, a YPFB já é a responsável pela Chaco e já está definindo os nomes de seus diretores", disse Saúl Avalos, ministro dos Hidrocarbonetos da Bolívia.

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