'Vítimas' de massacre aparecem vivas na Bolívia

Três pessoas que haviam sido dadas como mortas durante o chamado "massacre de Pando", no norte da Bolívia, em setembro do ano passado, apareceram vivas na quinta-feira e nesta sexta-feira, dando entrevistas a emissoras de TV do país.

Os três bolivianos haviam sido incluídos em uma lista de dezenove mortos no "massacre", compilada após uma investigação da Unasul (União das Nações Sul-Americanas) que foi convocada pelo presidente do país, Evo Morales.

Vicente Rocha Rojas, Luis Eduardo Zabala e Nestor Silva Rivero moram em Cobija, capital do Departamento (Estado) de Pando, vizinho do Estado brasileiro do Acre. Segundo a imprensa local, durante o incidente, Zabala e Rojas se "refugiaram" no lado brasileiro da fronteira, enquanto Rivero foi localizado em sua casa, em Cobija. O representante da Unasul, Luciano Fouilliox, do Chile, disse que devido à "metodologia criada às pressas, não se descarta que possam ter ocorridos erros". O episódio em setembro marcou o clímax da tensão entre o governo do presidente Morales e seus opositores. As mortes levaram o governo Morales a decretar estado de sítio no local e determinar a prisão do prefeito (governador) de Pando, Leopoldo Fernández. Comissão Também nesta sexta-feira, a Comissão Especial de Promotores do Ministério Público, que também investiga o caso, informou que tem documentos confirmando a morte de treze pessoas no episódio, ocorrido na cidade de El Porvenir, em Pando. "O Ministério Público contabilizou treze mortos, confirmados com atestados de óbito. Mas existem informações de que o número de mortos poderia ser maior e estamos investigando onde eles podem ter sido enterrados ou quem são seus familiares", disse o advogado Eduardo Morales, que integra a comissão. Na quinta-feira à noite, no fechamento da campanha para o referendo deste domingo sobre a nova Constituição, o prefeito (governador) de Santa Cruz, Rubén Costas, opositor de Morales, pediu à multidão que gritasse "liberdade para Fernández", em uma referência ao prefeito de Pando, que está preso.

O governo Morales acusa Fernández de ser o responsável pelo massacre. Naquele período, violentos protestos provocaram explosões em um dos gasodutos que envia gás para o mercado brasileiro.

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