Morales descarta antecipar eleições presidenciais

O presidente da Bolívia, Evo Morales, descartou, neste sábado, a possibilidade de antecipar as eleições presidenciais no país, caso o projeto da nova Carta Magna seja aprovado neste domingo.


"Isso nunca me passou pela cabeça, antecipar as eleições. Respeitarei a decisão política e do povo boliviano", disse o presidente durante uma entrevista à imprensa estrangeira no Palácio presidencial Queimado.

"Na Constituição, está escrito que as eleições serão no dia seis de dezembro deste ano e, uma vez mais, o povo boliviano decidirá", afirmou Morales.

Nos últimos dias, setores da oposição afirmaram que Morales poderia antecipar as eleições para junho ou julho deste ano.

Polarização
Quando perguntado se a nova Carta Magna poderia unir o país ou se provocaria uma nova polarização, ele respondeu que a intenção é ter um país unido com autonomias.

"É um direito do povo boliviano votar pelo 'não' ou pelo 'sim', é uma questão de consciência. Se em alguns departamentos (estados) vencer o "não", respeitaremos. Mas esse é um referendo nacional e não quero que entendam autonomias como separatismo", disse.

"Queremos uma Bolívia unida com autonomias (estaduais e indígenas)".
Nos últimos dias, prefeitos (governadores) da oposição disseram que o "não" deveria vencer e ser respeitado em algumas regiões, sugerindo que o resultado deveria ser por local e não nacional.

A poucas horas do referendo que ratificará ou não o texto, Morales disse que os políticos "corruptos" são os que defendem o "não" à nova constituiçao.

Petroleiras
Sobre as novas regras para o setor energético, que será afetado caso a nova Constituição seja aprovada, Morales disse que está "aberto ao diálogo" com as petroleiras.

A nova Carta Magna transforma as companhias em "prestadoras de serviço" e sem direito a recorrer, caso necessário, aos "tribunais internacionais" ou "às reclamações diplomáticas".

Apesar de afirmar que o diálogo permanecerá aberto, Morales reiterou o que tem dito desde a nacionalização do setor de hidrocarbonetos, em maio de 2006.

"Queremos sócios e não patrões. Qualquer investidor que queira estar na Bolívia deve respeitar as regras bolivianas", afirmou.

Estima-se que cerca de 100 leis deverão passar pelo Congresso Nacional para um processo de adaptação com o possível novo texto constitucional.

"O problema é que será um ano eleitoral e, além disso, o governo não tem maioria no Senado, controlado pela oposição. Não promete ser um período simples", disseram à BBCBrasil o analista político Carlos Cordero, da Universidade Mayor de San Andrés, e o analista do setor energético Carlos Alberto López.

Referendo
Neste domingo, cerca de 3,8 milhões de eleitores deverão ir às urnas para ratificar ou rejeitar o texto que, segundo analistas, é, principalmente, "um plebiscito" ao governo Morales.

Em agosto do ano passado, os bolivianos votaram para ratificar ou não o mandato de Morales. Em 2006, ele foi eleito com 54% dos votos. No referendo do ano passado, recebeu mais de 60%. Mas seus opositores também tiveram votação alta, confirmando a divisão do país.

Um dos duzentos observadores da eleição deste domingo, o deputado federal brasileiro Doutor Rosinha (PT-PR) disse que a organização do pleito está mais organizada e preparada do que na votação de agosto.

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