Eleição é vitória para iraquianos, diz premiê do Iraque

O primeiro-ministro do Iraque, Nouri al-Maliki, afirmou neste sábado que a realização de eleições locais em um clima pacífico e com um alto nível de comparecimento às urnas é "uma vitória para todos os iraquianos".

O horário de votação foi estendido por uma hora, por causa do grande número de eleitores que foram votar, incluindo muitos muçulmanos sunitas, que haviam boicotado as últimas eleições no país, em 2005.

A eleição deste sábado visa escolher representantes para 14 das 18 províncias iraquianas. Estes conselhos são responsáveis por nomear os governadores das províncias, que são os responsáveis por fiscalizar as finanças e projetos de reconstrução. Esta é a primeira eleição de âmbito nacional em quatro anos e pode representar um marco significativo na tortuosa recuperação do Iraque após os anos de turbulência e desintegração que se seguiram à invasão norte-americana, em 2003. Milhares de soldados e policiais foram destacados para garantir a segurança das eleições.

No único registro grave de violência, locais de votação foram atacados por morteiros em Tikrit, cidade natal do ex-presidente Saddam Hussein, mas as explosões não deixaram vítimas.

As eleições deste sábado também estão sendo encaradas como um teste para as próximas eleições gerais, marcadas para o final deste ano, e como uma espécie de referendo a respeito da liderança do primeiro-ministro, Nouri Al-Maliki. "Esta é uma vitória para todos os iraquianos", disse Maliki após votar na chamada Zona Verde, área de segurança máxima de Bagdá.

Para Maliki, o alto grau de comparecimento é um indicador da "confiança dos iraquianos em seu governo e nas eleições" e uma "prova de que o povo iraquiano está agora vivendo em segurança verdadeira".

O pleito deste sábado também pode representar um sinal de estabilidade política que irá favorecer a redução da presença de tropas americanas no país. "Enquanto as eleições de janeiro de 2005 colocaram o país no caminho de uma guerra civil, estas eleições (de 2009) podem representar uma outra mudança, muito mais pacífica", diz um relatório do International Crisis Group, um instituto que pesquisa conflitos ao redor do mundo. Segurança Mesmo com a redução significativa nos níveis de violência no último ano, as eleições deste sábado acontecem em meio a temores de conflitos e atentados.

Nos últimos dias, três candidatos sunitas foram mortos em Bagdá, Mosul e na província de Diyala.

Autoridades americanas e iraquianas haviam alertado também para a possibilidade de a Al-Qaeda no Iraque e outros grupos extremistas sunitas tentarem empreender ataques contra zonas eleitorais. Carros foram banidos de regiões de Bagdá e outras grandes cidades para reduzir o risco de atentados a bomba. As fronteiras internacionais do país também foram fechadas, o tráfego aéreo interrompido e foram declarados toques de recolher em algumas regiões. O pleito foi organizado pelas Nações Unidas e pela Comissão Eleitoral Independente do Iraque. Cerca de 800 observadores internacionais fiscalizaram a votação.

Nacionalismo Desta vez, esperava-se um amplo comparecimento às urnas de eleitores da minoria sunita, que, em grande parte, boicotaram as eleições de 2005. "Nós perdemos muito por não termos votado e vimos o resultado, a violência sectária", disse à BBC o eleitor sunita Khaled Al-Azemi. "É por isso que queremos votar agora, para evitar os erros do passado", completou.

Segundo o repórter da BBC em Bagdá, Jim Muir, nas áreas sunitas, onde antes grupos insurgentes tinham o controle e as eleições anteriores foram virtualmente impossíveis de serem realizadas, desta vez, os candidatos continuaram na disputa e havia a expectativa de um grande comparecimento às urnas. Muir ainda afirma que o pleito poderá representar uma derrota para os grupos insurgentes sunitas. Tanto do lado sunita quanto entre os xiitas, as grandes alianças religiosas que dominaram a política iraquiana nos últimos quatro anos encontram-se fragmentadas. Pesquisas de opinião também sugerem uma transferência da preferência dos eleitores de candidatos de orientação religiosa para outros de tendência nacionalista. Segundo Muir, a mudança acontece por causa da desilusão dos eleitores com os partidos religiosos que, nos últimos quatro anos, passaram uma imagem de corrupção e incompetência.

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