Evo Morales demite presidente de petroleira estatal para evitar crise

O presidente da Bolívia, Evo Morales, demitiu, no sábado, o presidente da petroleira estatal YPFB, o indígena Santos Ramírez, e nomeou um interventor na empresa.

A demissão ocorreu quatro dias após a descoberta de US$ 450 mil supostamente destinados ao pagamento de propinas à empresa com um empresário assassinado.

Para o lugar de Ramírez, Morales nomeou o ex-ministro de hidrocarbonetos e até então ministro de Planejamento, o economista Carlos Villegas, que deverá fazer uma auditoria na petroleira.

Na opinião de analistas bolivianos entrevistados neste domingo pela BBCBrasil, Evo Morales tomou a decisão de demitir seu aliado Ramírez para evitar uma crise política no seu governo, sete dias após a aprovação da nova Constituição num referendo. "O presidente tem um estilo de defender seus assessores acusados por alguma denúncia. Mas desta vez agiu rápido para evitar maiores estragos na imagem do governo. Seria um problema manter Ramírez no cargo. Ele foi aliado de Morales no Congresso Nacional e participou da redação da lei de nacionalização de hidrocarbonetos", disse o analista e professor de direito da Universidade Mayor de San Andrés, Ramiro Moreno Baldivieso.

Por sua vez, a professora de ciências políticas da mesma universidade, Jimena Costa, completou: "Ramírez é uma pessoa que os eleitores vinculam, imediatamente, à imagem de Evo Morales. Por isso ele tinha que agir logo. Ramírez é um indígena e integrante de peso do MAS (Movimento ao Socialismo), partido do presidente, que há tempos apóia fortemente as políticas de Morales".

Denúncias de corrupção Ramírez foi demitido por Morales em meio a denúncias de corrupção, quatro dias após o assassinato do empresário boliviano Jorge O'Connor, supostamente após um assalto.

Com ele, estariam US$ 450 mil que seriam para pagamento de propina à YPFB, com quem a empresa de O`Connor, a Catler Uniservice, trabalhava na construção de uma base que vai separar o gás, na localidade de Rio Grande, no departamento (estado) de Santa Cruz.

É de Rio Grande que parte o gás para Brasil e Argentina, segundo Baldivieso, que costuma analisar o setor petroleiro no país. A previsão é de que esta base, que abrirá o passo para que a Bolívia passe a dar valor agregado ao gás, seja inaugurada até o fim deste ano.

Por sua vez, a YPFB é a empresa responsável por toda a cadeia de produção de petróleo e gás no país, desde que Morales decretou a nacionalização do setor no dia primeiro de maio de 2006.

'Emergência' "Essa é uma nomeação de emergência", disse Morales ao empossar Villegas. O presidente anunciou que será feita uma "auditoria econômica, financeira e legal" na YPFB para investigar as denúncias de corrupção.

Segundo a analista Jimena Costa, este caso ainda poderá revelar outros episódios. "Até pouco tempo, nossa preocupação era com a ineficiência e inexperiência do governo. Mas agora é com os casos de corrupção e falta de transparência", disse ela.

Baldivieso concordou: "A YPFB precisa ser uma empresa mais transparente e profissional. É a principal empresa do país, mas o erro começa pela nomeação dos presidentes, que não são profissionais da área e sim indicações políticas do governo. Para respeitar o estatuto da empresa, o presidente deveria ter o nome aprovado pelo Congresso, mas o governo não tem maioria no Senado e prefere evitar uma negativa", afirmou Baldivieso. Ramírez é o quinto presidente da YPFB a deixar o cargo em três anos de administração de Morales.

O episódio que envolve Ramírez ocorre pouco depois de o ministro da Presidência, Juan Ramón Quintana, ser acusado de envolvimento num caso de contrabando de carga. "Mas Quintana ficou no cargo porque sua imagem pública não é tão vinculada como a de Ramírez à de Morales", opinou Jimena Costa.

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