Chávez prevê mais uma década de 'revolução'

Em meio à campanha para aprovar em referendo a emenda constitucional que poderá colocar fim ao limite para a reeleição no país, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, afirmou, em um ato em comemoração aos 10 anos de seu governo, que a "revolução bolivariana" permanecerá pelo menos mais uma década no poder. "Hoje começa o terceiro ciclo da revolução bolivariana e me atrevo a prognosticar quanto durará este ciclo: de 2 de fevereiro de 2009 a 2 fevereiro de 2019", afirmou Chávez, sob uma chuva torrencial, diante de dezenas de milhares de simpatizantes que gritavam "Uh, ah, Chávez não se vá". "Esta revolução bolivariana chegou para estabelecer-se, crescer e para ficar para sempre, para ser vitoriosa sempre, pela via do socialismo e da soberania popular", acrescentou.

O discurso de Chávez foi antecedido por breves comentários dos presidentes da Alba (Alternativa Bolivariana para as Américas), convidados para participar das comemorações dos 10 anos. Entre eles estava o boliviano Evo Morales e o equatoriano Rafael Correa, que ainda não aderiu ao bloco.

A Alba pretende fazer frente aos Tratados de Livre Comércio promovidos pelos EUA, sob a lógica de integração e comércio solidários.

Tensão Para Chávez, não só a história da Venezuela, mas de toda a América Latina mudou na última década. "Hoje nos damos conta das mudanças gigantescas que começaram a ocorrer. Há dez anos, a América Latina e o Caribe estavam quase que completamente ajoelhados aos mandos do império norte-americano", afirmou.

Chávez, que disse se sentir "honrado pelo ódio da oligarquia", voltou a advertir a seus opositores que "não se equivoquem, é uma revolução pacífica, mas também armada, não se equivoquem". Conforme se aproxima a data do referendo, marcado para o dia 15 de fevereiro, o clima político no país tende a ficar mais tenso. Na semana passada, o movimento estudantil de direita, que rechaça a emenda constitucional que vai a referendo, foi acusado pelo governo de incendiar o Parque Nacional El Ávila e de promover atos de violência no interior das universidades. A penúltima manifestação estudantil em Caracas chegou a ser dissolvida com bombas de gás, reação que foi criticada pelos oposicionistas. Referendo Proibido pelo organismo eleitoral da Venezuela de fazer campanha para o referendo nos atos públicos transmitidos em cadeia nacional, Chávez se limitou a dizer que no pleito, quando os venezuelanos irão às urnas para decidir se aprovam ou não o fim do limite à reeleição, "o povo fará história". "Toda a pátria me diz que vai escrever outra página da história no próximo 15 de fevereiro, mas temos que estar muito unidos", afirmou. "Eu estou pronto, se vocês assim mandarem, para comandar o terceiro período da revolução, de 2009 a 2019". A última pesquisa de intenção de voto realizada pela empresa Datanálisis, divulgada na semana passada, mostra que 51,5% dos venezuelanos apóiam o fim do limite à reeleição, enquanto 48,1% rejeitam a proposta. Para a estudante Gabriela Sánchez, a permanência de Chávez no poder é a "garantia" de que a revolução irá continuar. "Há dez anos, éramos um país de pobres, não tínhamos acesso a nenhum direito básico, não havia saúde, educação, participação política, nada. Isso mudou com a revolução, com Chávez", afirmou a estudante à BBC Brasil pouco antes da chegada do presidente o Los Próceres, em Caracas. Gabriela Sánchez, no entanto, admite que ainda há muitos erros no governo e apontou como falhas a insegurança e a corrupção. Mas, em sua opinião, Chávez é a "garantia" de continuidade da revolução.

"Há muito o que fazer, mas não será com a oligarquia que sempre deu as costas ao povo, que sempre roubou o dinheiro do petróleo, que vamos conseguir transformar o país, jamais", acrescentou.

O referendo é visto por analistas como uma "prova de fogo" a que serão submetidos Chávez e seu projeto bolivariano, já que, dentro do chavismo, ainda não há um líder capaz de substituí-lo e dar continuidade ao governo que pretende consolidar um projeto socialista. Chávez prometeu ainda aprofundar a revolução nos próximos dez anos. "(Faço) meu juramento de não descansar nenhum segundo até que tenhamos a pátria grande, como sonhou (Símon) Bolívar. Viva a revolução, viva o socialismo".

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