Farc libertam ex-governador na Colômbia

Depois de mais de sete anos de cativeiro, o ex-governador colombiano Alan Jara foi libertado nesta terça-feira pelas Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) e entregue a uma missão humanitária com apoio brasileiro. Alan Jara, de 51 anos, deve ser recebido pelos familiares no aeroporto de Villavicencio, no sul da Colômbia. De lá, o ex-refém deve ser levado a Bogotá, onde se reunirá com o presidente colombiano, Álvaro Uribe. Jara é o quinto dos seis reféns que as Farc prometeram libertar em dezembro após meses de negociações com o movimento Colombianos pela Paz - organização criada com o objetivo de facilitar o resgate dos seqüestrados ainda em poder da guerrilha. Trata-se de uma libertação unilateral e incondicional por parte da guerrilha, que, na opinião de analistas, pretende abrir novos espaços de diálogo em meio a um processo de enfraquecimento militar do grupo.

O Brasil participa da logística da missão humanitária, cedendo helicópteros, mecânicos e 18 militares.

Missão Jara foi seqüestrado em 15 de julho de 2001 quando viajava em um carro das Nações Unidas no interior do Estado de Meta. Na ocasião, as Farc acusaram Jara de ter vínculos com paramilitares de direita. Com a sua libertação se completa a segunda fase da missão de resgate prevista para ocorrer em três etapas. A primeira ocorreu no domingo com a libertação de três policiais e um soldado. A próxima e última fase deve ser realizada na quinta-feira, quando a missão humanitária deve resgatar ao ex-deputado Sigifredo López, seqüestrado em 2002. Com a saída de Jara, ainda restam em poder da guerrilha 23 reféns considerados passíveis de troca em um acordo humanitário com o governo. A proposta original do acordo era que, em troca da libertação de reféns da guerrilha, o governo libertasse rebeldes que mantém presos - mas as negociações estão paralisadas. Entre outras exigências para efetivar o acordo, as Farc reivindicam a desmilitarização de três municípios, mas o governo do presidente Álvaro Uribe não aceita isso. Desentendimento O resgate de Jara, previsto para segunda-feira, esteve a ponto de fracassar devido a desentendimentos entre o governo e o movimento Colombianos pela Paz, promotor do diálogo que permitiu a possibilidade de libertação do novo grupo de reféns.

A crise entre Uribe e o movimento Colombianos pela Paz teve início logo depois do resgate dos quatro reféns libertados no último domingo.

Ainda no meio da selva colombiana, o jornalista Jorge Botero, que acompanhou a missão, denunciou que aeronaves das forças armadas colombianas sobrevoaram o local onde foram libertados os reféns. Isso teria violado um prévio acordo de paralisação das atividades militares na área de resgate dos reféns.

Em seguida, Botero teria facilitado a comunicação telefônica entre um membro das Farc e o canal de televisão Telesur.

Na entrevista, o guerrilheiro disse que houve enfrentamento com as Forças Armadas, resultando na morte de um rebelde e no desaparecimento de outro. Essas declarações levaram à interpretação de que o cessar-fogo de 36h anunciado pelo governo não teria sido cumprido.

Uribe se irritou com as declarações e, na segunda-feira, decidiu proibir a participação nos resgates seguintes dos membros do grupo Colombianos pela Paz, incluindo a senadora Piedad Córdoba, que ajudou nas negociações com as Farc.

Logo depois, o presidente colombiano voltou atrás em parte de sua decisão, ao permitir a participação de Córdoba na operação reiniciada nesta segunda-feira.

Contudo, Botero e outro jornalista que acompanha a missão, Daniel Samper, permaneceram com acesso vetado ao helicóptero de resgate.

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