Justiça suspende construção de muro entre cidades na Argentina

Marcia Carmo Em Buenos Aires (Argentina)

A justiça da cidade de San Isidro, na província de Buenos Aires, determinou, nesta quinta-feira (9), o embargo da construção do muro que estava sendo erguido entre esta localidade e a vizinha San Fernando.

A decisão do juiz Fernando Ribeiro Cardadeiro, do tribunal mais importante de San Isidro, foi em resposta ao apelo judicial apresentado, na quarta-feira, pela prefeitura de San Fernando, solicitando que a obra fosse interrompida.

No seu argumento, segundo a imprensa local, o juiz recomendou que a segurança seja reforçada nesta região e que, nesta fronteira entre as duas cidades, a polícia esteja mais presente.

Uma nova audiência, de acordo com o La Nación, em sua edição on line, foi marcada para a próxima segunda-feira, já que o prefeito de San Isidro, Gustavo Posse, teria reiterado sua intenção de "construir muros" para tentar frear a insegurança na localidade.

Posse já tinha anunciado na véspera que o paredão de 250 metros de extensão seria para "conter a insegurança" e os crimes no lugar. Na ocasião, ele afirmou que a maioria dos crimes cometidos em San Isidro eram de autoria de pessoas de outras localidades.

Suspensão temporária

Nesta quinta-feira, ele divulgou comunicado, destacando que a construção do paredão foi suspensa "temporariamente" enquanto são esperadas propostas das autoridades provinciais e nacionais para melhorar a segurança na região.

"Nossa intenção não foi fragmentar e dividir, mas proteger os habitantes de San Isidro", disse Posse. Pouco antes, também nesta quinta-feira, moradores de San Fernando, contrários ao paredão, derrubaram à força as paredes erguidas e ainda os postes de ferro que fariam parte do restante do muro.

O policiamento foi reforçado no local onde moradores das duas localidades trocaram insultos diante das câmeras de televisão.

Críticas

Como no Rio de Janeiro, onde paredes semelhantes começaram a ser construídas em torno de favelas, a iniciativa do prefeito de San Isidro gerou forte polêmica no país.

A presidente Cristina Kirchner declarou que "o muro é um retrocesso. Estou assustada (com a obra). Estas são medidas separatistas". As autoridades ligadas a área de segurança também reagiram contra o muro.

"É verdade que a insegurança existe, mas esta loucura (o muro) não é a solução. Somos todos iguais e ninguém tem direito a querer nos dividir", disse o secretário de segurança da província de Buenos Aires, Carlos Stornelli.

Ele acrescentou que um governo municipal não tem poder de decisão sobre um lugar público, como a fronteira entre San Isidro e San Fernando, e muito menos, disse, para "dividir".

Por sua vez, o ministro de Segurança Pública do governo nacional, Aníbal Fernández, afirmou que o prefeito de San Isidro tentava "impôr uma medida unilateral e sem sentido".

As municipalidades de San Isidro, principalmente, e de San Fernando, no norte da província de Buenos Aires, são endereço de moradores de classe média e alta. No entanto, próximos às regiões de mansões, nestas duas localidades, estão bairros sem saneamento básico e alto índice de pobreza.

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