Para Lula, é "difícil imaginar" próxima cúpula sem Cuba

Fabricia Peixoto Em Port of Spain

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse durante um encontro com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, em Trinidad e Tobago, que é "difícil imaginar" uma próxima Cúpula das Américas sem a presença de Cuba.

A Cúpula foi criada em 1994 e acontece a cada quatro anos. O governo cubano nunca foi convidado, por ter sido desligado da Organização dos Estados Americanos (OEA) há 47 anos.

O comentário do presidente Lula foi feito durante reunião entre os líderes da Unasul e o presidente Obama, na manhã deste sábado. O chanceler brasileiro, Celso Amorim, fez um relato do encontro a um grupo de jornalistas.

À tarde, Lula voltou a tocar no assunto, dessa vez durante seu discurso na plenária da Cúpula. "Nosso esforço integrador nas Américas será sempre incompleto enquanto persistir em nossas reuniões a anômala exclusão de um dos países do continente, Cuba", disse o presidente.

Ainda segundo Lula, "as relações com Cuba serão um sinal importante da disposição dos Estados Unidos em relacionar-se com a região". A avaliação do governo brasileiro é de que as medidas tomadas pelo presidente Obama "vão na boa direção, mas são insuficientes".

Na última segunda-feira (13), a Casa Branca suspendeu as restrições de viagens de cubano-americanos à ilha, assim como as remessas de dinheiro ao país.

Equilibrado
Como o Palácio do Planalto já havia antecipado, o presidente Lula optou por um discurso "equilibrado" e "sem exageros". Também não houve improvisos, como é costume nas falas do presidente. Além da questão cubana, Lula ressaltou a "diversidade" na região. "É uma diversidade positiva. Não devemos temê-la", disse.

Na linha do proposto pelo presidente Obama, Lula também sugeriu que os países da região "privilegiem o futuro". Segundo ele, a construção de "alternativas" para a região "não pede que esqueçamos o passado, mas ela deve privilegiar o futuro", disse o presidente brasileiro. "Nossos atos e gestos concretos demonstrarão que não há mais lugar em nosso continente para políticas de isolamento", acrescentou.

A Cúpula das Américas segue até o domingo (20). De manhã, os chefes de Estado participam de um "retiro" em um hotel na cidade, sem a presença de ministros ou assessores. O convite partiu do primeiro-ministro de Trinidad e Tobago, Patrick Manning.

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