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06/06/2006 - 14h58

Empresas não precisam temer blogs, diz especialista

Para o observador de mídia Wolfgang Lünenbürger-Reidenbach, não há perigo real de que boatos infundados divulgados por sites causem prejuízos econômicos aos atingidos.

Anotações online de um criador de coelhos do sul da Alemanha, relatos íntimos de casos amorosos, dicas para manicures: a maioria dos blogs é dedicada aos hobbys e às paixões de seus criadores, que revelam as suas experiências ao público, quase sempre pouco numeroso. A subjetividade é corrente.

Mas como nesse universo também se costuma especular sobre fabricantes e seus produtos, muitos empresas passaram a observar com mais atenção o conteúdo desses diários online. Afinal, jornalistas também bisbilhoteiam blogs - em busca de histórias exclusivas.

A gigante do setor de tabaco Philip Morris, que há pouco trocou seu nome para Altria, conheceu de perto as conseqüências de boatos mal-intencionados na internet. Segundo matéria do jornal Berliner Zeitung, sites árabes disseminaram a informação de que a multinacional produzia em Israel os cigarros comercializados no mercado árabe. Uma informação errada que - reproduzida por jornais iraquianos - levou de imediato a uma queda no faturamento da empresa.

Prejuízos
Mas nem todos compartilham do medo frente aos boateiros mal-intencionados de plantão. "A suposição de que os blogs sejam uma ameaça econômica séria para empresas é besteira", afirma o especialista em blogs da Agência Alemã de Observação da Imprensa, Wolfgang Lünenbürger-Reidenbach. A serviço de empresas dos mais diversos setores, ele e seus colaboradores passam na lupa, regularmente, cerca de 60 mil blogs em língua alemã.

Ele assegura não conhecer na Europa nenhum caso de prejuízos causados a uma empresa por meio de desinformações divulgadas com má intenção por diários online. No mundo dos blogueiros, notas equivocadas seriam rapidamente identificadas e corrigidas. Além disso, o alcance dos blogs ainda seria muito limitado. E mesmo que o seu conteúdo fique disponível por muito tempo, isso acaba facilitando a localização de notas falsas pelas empresas atingidas, acrescenta o especialista.


Bildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift: Jamba: exemplo de como não se fazSegundo estimativas, há cerca de 70 milhões de blogs em todo o mundo - com acelerada tendência de crescimento. Empresas que oferecem serviços de blog monitoring sistemático não precisam se preocupar com a falta de trabalho. Com os assim chamados harvesters, elas examinam sites, fóruns e blogs. Com a ajuda de palavras-chave, esses robôs de busca avaliam se um produto ou uma marca é apresentada de forma negativa ou positiva. Mas o que fazer caso uma empresa seja atacada num blog?

Não processe ninguém
"Nada de pânico, o melhor é ficar quieto", aconselha Reidenbach. Reagir de forma enérgica é contraproducente. E, principalmente: "Não processe ninguém" - pois essa atitude afeta mesmo a reputação da empresa. Caso o boato não desapareça por si só, deve-se solicitar abertamente a correção da informação.

No ano passado, a empresa Jamba, que comercializa toques para celular, mostrou como não se faz. O blog berlinense Spreeblick criticou práticas empresariais da Jamba em relação aos clientes jovens. Em resposta, funcionários da empresa encheram o blog com comentários positivos sobre o seu empregador - tudo de forma anônima. Quando eles foram descobertos, não só o blog, mas toda a mídia alemã ridicularizou a Jamba.



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