UOL Notícias Notícias
 

31/03/2010 - 18h34

Comunidade internacional define ajuda financeira para reconstruir Haiti

Representantes de mais de 130 países e organizações internacionais se reuniram nesta quarta-feira (31/03), em Nova York, para determinar a ajuda financeira para a reconstrução do Haiti após o terremoto de 12 de janeiro último.

Durante a conferência de doadores das Nações Unidas, o secretário-geral da organização, Ban Ki Moon, exigiu dos participantes "apoio absoluto e generoso", a fim de viabilizar um "futuro melhor" para o país caribenho. A meta das ONU era levantar uma ajuda de 3,8 bilhões de dólares ao Haiti para os próximos 18 meses.

O governo haitiano apresentou em Nova York um plano de ação para a reconstrução e desenvolvimento nacionais, um projeto que prioriza o restabelecimento das instituições e estruturas estatais. O terremoto que assolou o país em janeiro causou a morte de 220 mil pessoas e deixou 1,3 milhão de desabrigados.

Brasil concede ajuda suplementar

O ministro brasileiro das Relações Exteriores, Celso Amorim, anunciou que o Brasil vai contribuir com 172 milhões de dólares para a reconstrução do país caribenho, incluindo apoio direto ao orçamento do governo haitiano. No início da conferência internacional de doadores em Nova York, Amorim declarou que esse apoio é "consistente com a visão de que o governo do Haiti tem de liderar o processo de reconstrução".

"Estamos aqui para nos certificarmos de que o povo do Haiti vai encontrar o caminho para o desenvolvimento sustentável, e este processo tem de ser conduzido pelo governo haitiano com o apoio da comunidade internacional", afirmou Amorim na sede das Nações Unidas em Nova York.

Clinton apela por aplicação correta da ajuda

A secretária norte-americana de Estado, Hillary Clinton, anunciou que os EUA vão liberar 1,15 bilhão de dólares para o processo de reconstrução do Haiti a longo prazo. O Banco Mundial, por sua vez, pretende elevar sua ajuda já anunciada para 479 milhões de dólares até junho de 2011, o que significa um aumento de 250 milhões de dólares.

Os representantes dos países doadores ressaltaram a necessidade de aproveitar a atual ajuda financeira para promover um recomeço político e econômico no país caribenho. Mesmo antes do terremoto de janeiro, o Haiti já era considerado um dos países mais pobres e, na opinião de muitos, menos bem governados do mundo.

Clinton insinuou que a concessão da ajuda internacional pode tornar tentadora a recaída em antigos vícios. "Mas não podemos retornar às estratégias fracassadas", advertiu ela. Segundo Clinton, os EUA querem fortalecer as instituições políticas no Haiti, melhorar a segurança e promover o desenvolvimento em setores como agricultura, energia e saúde.

Até agora, a Alemanha liberou mais de 240 milhões de dólares para o país centro-americano, somando-se o auxílio direto ao governo haitiano à ajuda indireta, concedida através da União Europeia e do Banco Mundial. O político verde alemão Thilo Hoppe, especialista em desenvolvimento, considera essa quantia insuficiente e exigiu mais generosidade por parte do governo em Berlim.

A França, por sua vez, também se comprometeu a ajudar com 180 milhões de euros.

Amorim salienta confiança no Haiti

Quanto ao Brasil, Celso Amorim lembrou que já liberou 167 milhões de dólares em ajuda de curto prazo, além de ter organizado 130 voos humanitários com mil toneladas de alimentos e um hospital de campanha completo.

O auxílio suplementar liberado agora, de 172 milhões de dólares, será aplicado na "reconstrução e recuperação a longo prazo", adiantou.

Desse total, 94,5 milhões de dólares são para o setor da saúde, 40 milhões para infraestrutura, através do programa brasileiro Unasul, e 15 milhões de apoio direto para o orçamento do governo.

"O Brasil está confiante de que o Haiti é capaz de superar seus desafios e de tomar totalmente em suas mãos o próprio destino", afirmou Celso Amorim, que congratulou o governo de Porto Príncipe pelo "excelente plano" de reconstrução apresentado em Nova York.

O ministro brasileiro também reiterou a proposta de que países-membros da Organização Mundial do Comércio (OMC), e mesmo aqueles que não o são, ofereçam aos produtos do Haiti livre acesso aos seus mercados, a fim de apoiar o crescimento econômico do país.

O Brasil foi um dos coorganizadores da conferência de doadores, juntamente com Canadá e União Europeia.

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    17h00

    0,40
    3,279
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h20

    0,95
    63.257,36
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host