Arábia Saudita executa 47 por terrorismo

Pena para proeminente clérigo gera mal-estar entre a comunidade xiita saudita e é criticada por importantes aiatolás do Irã. Execuções foram destinadas principalmente a desencorajar população a aderir ao jihadismo.

A Arábia Saudita executou neste sábado (02/01) 47 pessoas por ligação com terrorismo, entre elas o proeminente clérigo xiita Nimr Baqir al-Nimr. As penas foram destinadas principalmente a desencorajar os sauditas de aderir ao jihadismo.

A maioria era de nacionalidade saudita, com exceção de um egípcio e um chadiano. As acusações incluem a adoção e promoção da ideologia takfiri (extremismo sunita), assassinato, sequestro, fabricação de explosivos e posse de armas.

As execuções aconteceram em 12 cidades diferentes. Em quatro prisões, elas foram realizadas por pelotão de fuzilamento; nas outras, por decapitação.

Dos 47 executados, a maior parte foi condenada por ataques da Al Qaeda na Arábia Saudita há uma década. Quatro, incluindo o clérigo Nimr, foram acusados de atirar em policiais durante protestos contra o governo.

Nimr foi detido em julho de 2012 por apoiar os distúrbios contra as autoridades sauditas. Eles eclodiram em fevereiro de 2011, na esteira da Primavera Árabe, na província de Al Qatif, no leste do país, de maioria xiita. Aproximadamente 90% da população saudita são sunitas.

A condenação gerou um forte mal-estar entre a comunidade xiita saudita e foi criticada por importantes aiatolás do Irã, a potência xiita rival da Arábia Saudita.

Alguns dos ataques atribuídos aos demais condenados aconteceram em complexos residenciais de Riad em 2004 e sedes de empresas petrolíferas na província de Al Jabar, em 2005. Também houve condenações por envolvimento nos atentados contra o Ministério do Interior em 2005 e no ataque contra o consulado americano em Jidá no mesmo ano, que matou quatro pessoas.

Grupos extremistas começaram uma campanha de desestabilização do regime saudita em maio de 2003, realizando vários atentados contra ocidentais que trabalham no país e contra as instalações petrolíferas.

RPR/rtr/afp/efe

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