Diretores de emissora estatal se demitem na Polônia

Em protesto contra controverso plano do governo polonês de controlar a mídia, jornalistas renunciam aos cargos na TVP. Para entra em vigor, nova legislação requer apenas assinatura do presidente do país, Andrzej Duda.

Diretores de vários canais da emissora pública da Polônia TVP apresentaram suas demissões após a adoção pelo Parlamento polonês, em 31 de dezembro, de uma lei que coloca a mídia pública sob controle governamental.

Segundo informações da imprensa local, quatro diretores da emissora pública TVP pediram demissão: os diretores de dois canais TVP1 e TVP2 e os responsáveis do canal cultural TVP Kultura, da Agência de Notícias TAI e do gabinete de recursos humanos da TVP. O presidente do grupo midiático aceitou os pedidos de demissão.

Entre os que renunciaram aos seus cargos, estão a chefe da TVP Kultura, Katarzyna Janowska, que publicou a notícia em sua página no Facebook com a frase "não tenha medo", e Tomazs Lis, um dos jornalistas mais reconhecidos da Polônia.

"Ninguém pode focar a Polônia a calar sua boca. Ninguém pode me forçar a me calar", disse Lis, acrescentando que seguirá sua carreia em outra empresa, provavelmente numa emissora particular.

A Polônia está prestes a aprovar uma nova legislação que entregaria efetivamente o controle editorial e financeiro das empresas públicas de radiodifusão do país à legenda governista Partido da Lei e da Justiça (PiS).

Depois de passar por ambas as câmaras do Parlamento, o projeto de lei agora só requer a assinatura do presidente do país, Andrzej Duda, para entrar em vigor. O líder do PiS, Jaroslaw Kaczynski, disse anteriormente que esta seria a primeira de uma série de reformas destinadas a moldar o sistema midiático público da Polônia em conformidade com a visão conservadora do PiS.

Críticos afirmam que com a medida os canais de televisão e estações públicas de rádio da Polônia serão reduzidos a meros porta-vozes do governo, afetando uma rede de emissoras em todo o país.

Grupos de direitos humanos e associações de jornalistas, entre elas a União Europeia de Radiodifusão (UER) e os Repórteres Sem Fronteiras, protestaram contra a nova regulamentação.

PV/dpa/afp

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