Conselho de Segurança ameaça retaliar Coreia do Norte

Órgão máximo da ONU promete começar a trabalhar em medidas contra Pyongyang, após teste nuclear amplamente condenado internacionalmente. EUA afirmam que análise deixa em dúvida real uso de bomba de hidrogênio.

Após reunião extraordinária convocada por Estados Unidos, Japão e Coreia do Sul, o Conselho de Segurança da ONU condenou firmemente o teste com uma bomba de hidrogênio que, segundo a Coreia do Norte, teria sido realizado nesta quarta-feira (06/01).

"Os membros do Conselho de Segurança lembraram que já expressaram anteriormente a determinação de tomar medidas significativas adicionais no caso de haver outro teste nuclear da Coreia do Norte", disse Elbio Rosselli, embaixador do Uruguai, país que atualmente preside a entidade.

"Em conformidade com este compromisso e a gravidade desta violação, os membros do Conselho de Segurança vão começar a trabalhar imediatamente em tais medidas em uma nova resolução", completou o diplomata.

Após especulações sobre um terremoto provocado por ação humana, a Coreia do Norte confirmou seu primeiro "teste bem-sucedido" de uma bomba de hidrogênio, que tem potência muito maior do que uma bomba nuclear comum.

Três testes nucleares anteriores, realizados em 2006, 2009 e 2013, levaram à imposição de uma série de sanções da ONU à Coreia do Norte.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, condenou veemente o teste atômico e exigiu que o país "cesse todas as atividades nucleares".

"Condeno-o inequivocamente. Exijo que a Coreia do Norte cesse todas as atividades nucleares e cumpra suas obrigações de desnuclearização comprovável", disse Ban antes do início da reunião de emergência do Conselho de Segurança sobre a situação.

O teste, o quarto realizado pelo regime de Pyongyang, é "muito preocupante" e "profundamente desestabilizador para a segurança regional", afirmou o secretário-geral da ONU. "Este teste mais uma vez viola diversas resoluções do Conselho de Segurança. É mais uma grave transgressão das normas internacionais contra testes nucleares."

Segundo a Casa Branca, a análise inicial do suposto teste nuclear da Coreia do Norte não é consistente com um teste de bomba de hidrogênio bem-sucedido. Mas qualquer teste nuclear, afirmou a presidência americana, é uma "violação escandalosa" das medidas do Conselho de Segurança.

"A análise inicial não é consistente com a reivindicação que o regime fez sobre um teste de bomba de hidrogênio bem-sucedido", disse Josh Earnest, porta-voz da Casa Branca. Segundo ele, os EUA estão trabalhando para saber mais sobre o suposto teste.

Líderes internacionais condenam Pyongyang

Líderes internacionais também condenaram o teste nuclear de Pyongyang. O secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, classificou o ato como uma clara violação das resoluções do Conselho de Segurança da ONU, além de criticar a "retórica incendiária e ameaçadora" de Pyongyang.

Numa curta declaração divulgada em Bruxelas, Stoltenberg apontou que "os testes com armas nucleares anunciados pela Coreia do Norte minam a segurança regional e internacional" e insta as autoridades de Pyongyang a respeitarem integralmente as suas "obrigações e compromissos internacionais".

A União Europeia (UE), por intermédio da chefe da política externa do bloco, Federica Mogherini, a Rússia e, surpreendentemente, até a China reprovaram o teste nuclear e também apontaram a quebra de normas internacionais por parte de Pyongyang.

A China, o principal aliado da Coreia do Norte, declarou que se "opõe firmemente" ao teste nuclear de Pyongyang, acrescentado que o ensaio foi realizado "apesar da oposição da comunidade internacional".

PV/rtr/ap/afp/lusa

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