Decoração pode revelar muito do morador, afirmam psicólogos

Elena Klein / Aaron Skiba (ca)

No contexto da Feira Internacional de Móveis de Colônia, dois especialistas afirmam que o mobiliário diz bem mais sobre os residentes do que se possa pensar. Sua base é a "snoopology", a ciência da bisbilhotagem.

A primeira mostra de interiores e design na Alemanha em 2016 é a tradicional Feira Internacional de Móveis de Colônia, ou Imm Cologne. Realizada de 18 a 24 de janeiro, seu slogan deste ano é: "Morar é uma questão de sentimento", e ela é acompanhada pelo evento de design Passagen, espalhado pelo centro da metrópole renana.

"Diz-me como moras e eu te direi quem és." Para a maioria das pessoas, isso pode soar simples demais. Mas é o que afirmam o psicólogo americano Samuel Gosling e seu colega de Munique especializado em habitação Uwe Linke.

Analisando um setor que em 2015 registrou aumento de vendas de 5%, segundo a Associação Alemã das Indústrias do Mobiliário (VDM), eles partem do princípio que, quanto mais um observador treinar seu olhar, mais será capaz de avaliar alguém com base em sua ambientação.

Trata-se de um novo ramo da ciência ou simplesmente de uma tese ousada?

Vive-se como se mora - mora-se como se vive

Snoopology é como o psicólogo da personalidade Samuel Gosling denomina seu campo de interesse, em que tenta uma abordagem científica da capacidade de se obter informações a partir de pistas. "Qualquer um pode se tornar um snooper [bisbilhoteiro, em inglês]", afirma o americano. No processo, porém, um bom "farejador" deve confiar antes nas constatações da ciência do que na própria intuição.

De acordo com o pesquisador, há objetos claramente identificáveis que indicam traços da personalidade, como uma forte sociabilidade. Gosling explica, no entanto, que muito mais crucial é poder avaliar a impressão geral e questionar se a aparência de um interior é intencional ou não.

Segundo Gosling, existem dois tipos diferentes de objetos. De um lado estão os "corpos identificadores", que são deixados intencionalmente, como camisetas da banda favorita ou fotos de um ente querido sobre a mesa. Em contrapartida, existem itens que restaram de forma absolutamente impensada. Gosling os chama de "resíduos comportamentais".

A mulher, o homem e o apartamento

Não se trata apenas de como o ambiente reflete o habitante, mas também de como este o arruma. Ou seja: tanto livros classificados por ordem alfabética e uma agenda preenchida ordenadamente quanto um armário bagunçado podem fornecer informações importantes. Nesse contexto, o quarto de dormir é especialmente interessante.

O psicólogo da habitação Uwe Linke confirma tal abordagem. "Como espaço privado, o quarto de dormir mostra mais claramente o tema da abertura. Inconscientemente, as salas de estar são concebidas como parcialmente públicas, já que e outras pessoas também têm acesso a ela."

Em seu livro Single-Frau wählt Single-Mann und schaut sich seine Wohnung an (Solteira procura solteiro e dá uma olhada em seu apartamento), Linke tenta perceber, através da visita a diferentes habitações, o que o mobiliário revela sobre o caráter do morador. Ele se vê como um "farejador de pistas".

Os distantes e os próximos

De acordo com o especialista bávaro, um apartamento de aspecto frio e estéril é particularmente eloquente. A cor branca "é tão pouco neutra quanto as demais. Se a rejeição ao ornamento não é compulsiva, o despojamento também é uma compensação: vê-se o oposto do estado interior". Segundo o pesquisador, o branco representa calma, tolerância e a inacessibilidade. Ele classifica esse comportamento como "tipo distante".

Em contraste a esse caráter controlado, Linke identifica o aconchegante "tipo próximo". Este se entrega de corpo e alma à própria decoração, gosta de tudo o que seja macio e das cores ensolaradas. Amarelo, por exemplo, representa abertura, serenidade e a procura por um mundo ideal. Segundo o psicólogo alemão, decoração é, na maioria dos casos, um sinal de dedicação, humor e romantismo. Suvenires de viagem são especialmente emocionais.

Para ser um bom "farejador" é preciso anos de treino. E mesmo assim às vezes se podem cometer erros, já que nem todas as conclusões são facilmente explicáveis. O psicólogo conta como certa vez seu julgamento foi totalmente errôneo.

"Eu podia jurar que ali morava um homem, tão impessoal e frio eram o mobiliário e o estilo. Só mais tarde descobri se tratar de uma mulher - que, todavia, dominava no relacionamento. Um único quadro emotivo estava pendurado na parede, e eu presumi que ele tivesse sido deixado por uma amante desesperada, como desejo de uma abertura emocional. Mas quem tinha presenteado o quadro fora um homem."

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