Políticos discutem destino da Europa em Davos

Andreas Becker, de Davos (ca)

Crise migratória, terrorismo, crescimento fraco: no Fórum Econômico Mundial, líderes europeus pintam quadro sombrio sobre futuro da Europa e apontam necessidade de investimentos nas regiões de origem dos refugiados.

No Fórum Econômico Mundial, realizado nesta semana na cidade suíça de Davos, o primeiro-ministro francês, Manuel Valls, delineou um quadro desolador: "O projeto europeu pode estar morto em breve. Não em algumas décadas ou anos, mas em breve."

Segundo Valls, o importante é que a Europa encontre um caminho conjunto e que consiga controlar as questões de segurança decorrentes do terrorismo. Da mesma forma, o problema dos refugiados só pode ser superado de forma conjunta, disse o premiê francês, elucidando que o anúncio unilateral por parte da Áustria de controlar suas fronteiras mostra claramente, mais uma vez, como os europeus estão divididos no momento.

Nesse contexto, o chefe de governo holandês, Mark Rutte, ressaltou que há uma corrida contra o tempo. "Temos somente de seis a oito semanas para controlar a imigração", disse. Rutte lembrou que, em janeiro do ano passado, 1,6 mil refugiados chegaram à Europa, mas que, nas primeiras três semanas deste ano, esse número já chegou a 35 mil.

"Quando chegar a primavera, o número de refugiados vai aumentar drasticamente - e não vamos mais conseguir controlar o problema", completou.

O ministro alemão das Finanças, Wolfgang Schäuble, propôs investimentos bilionários em regiões de origem dos refugiados. Segundo ele, isso pode contribuir "para reduzir a pressão sobre as fronteiras externas da União Europeia de tal forma que o continente não se torne uma fortaleza".

"Vai custar muito mais do que o previsto até agora", declarou Schäuble. "Até o momento, havíamos pensado que os problemas no Oriente Médio e África não seriam realmente nossos problemas. Agora constatamos: é nosso problema. Um problema europeu."

Schäuble afirmou, no entanto, que isso não seria nenhuma oportunidade para se afastar da política de austeridade econômica e reformas que ele defende há anos. "Minha preocupação é que todos nós aqui na Europa subestimemos os desafios devido ao ritmo do desenvolvimento global."

Também Rutte pediu novas reformas para manter a competitividade. Ele alega que dois terços da economia europeia ainda não foram liberalizados e que haveria ainda muitas restrições na economia digital, no setor energético, nos serviços, nas profissões regulamentadas e no mercado de capitais.

Se essas barreiras fossem abolidas e um verdadeiro mercado único europeu fosse criado, o desempenho econômico da Europa aumentaria em 1,25 trilhão de euros, disse Rutte - isso corresponde a quase o dobro do Produto Interno Bruto da Holanda.

Essa foi uma oportunidade para que, em Davos, o primeiro-ministro britânico, David Cameron, enfatizasse mais uma vez a necessidade de reformas. "Em relação à tecnologia e produtividade, estamos atrás dos Estados Unidos. Deveríamos aumentar a competitividade de nossas empresas e economias, em vez de diminuí-la."

Cameron disse esperar que se chegue a um consenso sobre reformas até a próxima cúpula da UE em fevereiro. "Se um bom acordo for apresentado, vou aceitá-lo", declarou o chefe de governo, que afirmou ainda que vai lutar com todas as forças para que o Reino Unido permaneça na União Europeia.

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