Suíça leva a plebiscito salário básico para todos

Marcio Damasceno

Se medida for aprovada, habitantes do país passarão a receber quantia mensal sem precisarem trabalhar. Pesquisa revela que apenas 2% da população deixaria de trabalhar, caso tivesse sustento assegurado pelo benefício.

No próximo dia 5 de junho, o governo suíço vai submeter a consulta popular a proposta da renda básica universal. Se a ideia for aprovada, todos os habitantes do país receberão, mensalmente, um salário do governo - sejam eles empregados ou desempregados, ricos ou pobres.

Anunciado na quarta-feira (28/01), o plebiscito foi autorizado após uma iniciativa formada por grupos de diversas cidades suíças ter conseguido obter 126 mil assinaturas a favor da proposta, que reivindica cerca de 2.270 euros mensais, para possibilitar a "toda a população uma existência digna e a participação na vida pública". Mas o texto a ser submetido ao crivo público deixará o valor do benefício em aberto.

A iniciativa defende que a renda básica para todos incentivaria "a motivação e a criatividade" da população. Mesmo o trabalho de baixa remuneração seria, assim, mais valorizado, segundo os defensores da ideia. O emprego no sentido estrito deixaria, então, de ser uma necessidade.

"Trabalho se tornaria supérfluo"

Críticos argumentam que a medida tornaria o trabalho supérfluo na Suíça. Entretanto, uma pesquisa encomendada pelos defensores da iniciativa sugere que uma grande maioria dos cidadãos pretende continuar trabalhando, mesmo recebendo a renda básica universal.

De acordo com a sondagem, realizada pelo instituto de pesquisas Demoscope, 69% descartaram categoricamente que deixariam de trabalhar se passassem a ter seu sustento assegurado por um salário mensal. Outros 21% disseram que "provavelmente não largariam seus empregos". Somente 2% reconheceram que, "com certeza", parariam de trabalhar.

A renda básica também está na pauta política em outros países europeus além da Suíça, como na Finlândia e em uma série de municípios holandeses. A ideia também já foi repetidamente tema de debates na Alemanha.

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