Companhia alemã desenvolve teste rápido de zika

Carla Bleiker (av)

Procedimento fornece resultados em tempo real, a partir de análise de DNA em amostra de sangue. Teste consegue identificar vírus mesmo sem a presença de sintomas. Kits estão a caminho do Brasil.

A companhia alemã de biotecnologia Genekam desenvolveu o primeiro teste para detectar a eventual presença do vírus zika em humanos, mesmo quando não há sintomas. O exame a partir de uma amostra sanguínea ocorre em tempo real, fornecendo resultados rápidos sobre o número de patógenos do zika no organismo.

"Nosso teste examina o DNA e trabalha com substâncias químicas que reagem exclusivamente ao vírus zika", relatou à DW o virologista Sudhir Bhartia, um dos desenvolvedores. "Patogênicos semelhantes, como o da dengue, não aparecem nos resultados."

Apenas uma em cada cinco pessoas adoece no contato com o vírus, e até o momento o diagnóstico só é possível caso se apresentem sintomas. Essa circunstância é especialmente dramática para as gestantes, pois existe uma possível relação entre a infecção pelo zika e o desenvolvimento de microcefalia no feto.

Uso reservado a especialistas

Um primeiro lote de kits do teste está a caminho do Brasil. Normalmente esse tipo de recurso médico passa por uma longa fase de testes, antes de ser liberado. As autoridades abriram uma exceção devido ao rápido avanço do zika na América do Sul.

Os custos do procedimento desenvolvido pela empresa de biotecnologia sediada em Duisburg são relativamente baixos, ficando em torno de cinco euros (cerca de 20 reais) por teste. No entanto, clínicos gerais não estão autorizados a fazer o diagnóstico.

"O teste só deve ser usado por pessoal qualificado, a fim de evitar erros", enfatizou Bhartia. Os kits estão sendo enviados exclusivamente a institutos e laboratórios dotados de conhecimento e equipamento adequados.

Para os turistas que retornaram recentemente da América do Sul há um método de diagnóstico simples, embora mais demorado, lembra Christian Drosten, do Instituto de Virologia da Universidade de Bonn.

"Se a pessoa não apresenta os sintomas três semanas após o retorno, eles não vão mais se manifestar. E duas semanas mais tarde, o vírus não estará mais presente no corpo", explica. Em adultos saudáveis, os sintomas do zika são, em geral, febre, dores nas articulações e irritação da pele.

Microcefalia: aborto ou não?

Estudos recentes realizados pelo Ministério da Saúde traçaram uma conexão entre o zika e a microcefalia. Os bebês afetados nascem com crânios menores do que o normal, implicando em eventuais danos cerebrais. No momento, há no país cerca de 4 mil casos de suspeita dessa malformação congênita.

No entanto, diversos especialistas têm enfatizado que uma correlação não foi comprovada. Apenas seis entre os 270 casos confirmados de microcefalia tiveram relação comprovada com o zika. Também não há estudos que comprovem a transmissão do vírus da mãe para o bebê.

"Ainda há aspectos que não compreendemos sobre o vírus zika para afirmar que ele cause diretamente a microcefalia", alerta Drosten. O cientista da Universidade de Bonn admite uma correlação vaga, mas crê ser mais provável a malformação ocorrer se a gestante ter contraído rubéola em vez do zika.

Mesmo assim, Christian Drosten diz compreender o dilema das mulheres que foram infectadas na América do Sul e agora estão grávidas. "O risco de saúde pode não ser grande, mas essas mulheres estão tendo um período psicologicamente duro e estão sobrecarregadas com preocupações éticas."

Após considerar todos os fatos, uma última opção é interromper a gestação. Na prática, porém, não há como determinar se um feto cuja mãe contraiu o zika apresenta microcefalia ou não, já que a circunferência cranial final só pode ser medida numa fase mais avançada da gravidez.

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