Oposição síria ameaça deixar negociações em Genebra

Membros da coalizão exigem fim de bombardeios, libertação de presos e ajuda humanitária para uma possível transição política na Síria. Representante do regime de Assad diz que não negocia "com terroristas".

Representantes do Comitê de Altas Negociações (HNC) - coalizão que reúne políticos e grupos armados de oposição sírios - se encontraram pela primeira vez neste domingo (31/01) com o enviado especial da ONU para a Síria, Staffan de Mistura, em Genebra. Eles ameaçam deixar as negociações de paz, que ocorrem desde sexta-feira na sede das Nações Unidas, caso exigências não sejam atendidas.

O grupo quer a libertação de presos detidos em cadeias do governo, fim de bombardeios contra civis e garantia de ajuda humanitária a cidades sitiadas, em troca de avanços na transição política no país.

"Nós só viemos a Genebra depois de receber garantias e compromissos", afirmou Bassma Kodmani, integrante da delegação. "Não podemos iniciar negociações políticas até que tenhamos esses gestos."

O chefe da delegação do regime do presidente Bashar al-Assad, o embaixador sírio na ONU, Bashar al-Jaafari, comparou membros da oposição a terroristas apoiados por potências estrangeiras.

"Não vamos lidar com terroristas", afirmou. "Há potências estrangeiras endossando agendas externas com o objetivo de fazer pressão política sobre o governo sírio, usando o terrorismo como arma política."

Perguntado se o regime de Assad considera criar corredores humanitários, promover cessar-fogo e libertar prisioneiros al-Jaafari respondeu: "Absolutamente, isso é parte da agenda com a qual estamos de acordo e será um dos tópicos importantes que discutiremos entre nós como cidadãos sírios."

A guerra civil na Síria, que começou em março de 2011, já deixou mais de 260 mil mortos e milhões de deslocados. O conflito originou duas séries de negociações, denominadas Genebra 1 e Genebra 2, que não obtiveram resultados.

A ONU estima que cerca de 500 mil sírios estejam sob cerco das forças do regime de Bashar al-Assad, dos rebeldes ou de outros grupos. Segundo as Nações Unidas, 75% das entregas de ajuda humanitária foram bloqueadas pelo governo.

KG/afp/rtr

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