Documentário resgata origens alemãs de Donald Trump

Alexander Dluzak (mp)

Filme "Kings of Kallstadt" explora raízes estrangeiras do pré-candidato à presidência dos EUA, defensor de políticas anti-imigrantes. Imagem do magnata parece estar abalada no vilarejo do qual a família é oriunda.

No número 20 da Freinsheimer Strasse, no vilarejo alemão de Kallstadt, há uma casa com fachada branca e janelas pequenas. Foi ali que o avô do pré-candidato à presidência dos EUA Donald Trump viveu antes de migrar para a América e começar a construir o império imobiliário da família.

Hoje, o universo dos Trump se concentra na famosa Trump Tower, na 5ª Avenida de Nova York - distante não apenas geograficamente da modesta casa na Alemanha. Mas esses dois mundos à parte se encontram no documentário Kings of Kallstadt (Os reis de Kallstadt, em tradução livre), dirigido por Simone Wendel, natural do vilarejo.

No escritório de Trump em Nova York, Wendel conta que mostrou ao pré-candidato republicano uma foto da casa de seus ancestrais. "Linda!", disse ele. Segundo a cineasta, o político estava um tanto reservado no início da conversa, mas se descontraiu aos poucos. Ele não estava acostumado a falar com alguém sobre o avô, Frederick Trump, diz Wendel.

Frederick deixou Kallstadt e migrou para os Estados Unidos em 1885. De Nova York, ele foi para Yukon, no noroeste do Canadá, durante a chamada Corrida do Ouro de Klondike. Nos dias de hoje, ele seria provavelmente enquadrado no grupo dos "refugiados econômicos". Mesmo assim, seu neto não hesita em usar um discurso ácido contra imigrantes na campanha presidencial.

Tal posicionamento do pré-candidato fez dele um sujeito pouco popular em Kallstadt. Isso é facilmente constatado quando se fala no nome do republicano nos pontos de encontro do vilarejo, como o açougue Appel, onde um cartaz apresenta a especialidade do estabelecimento: "O paraíso do estômago de porco".

As declarações polêmicas de Trump contra os refugiados são "inaceitáveis, afinal, o pai dele também foi um [refugiado]", afirma o morador Edelhard Kellermann. Antes da campanha eleitoral, muitos habitantes de Kallstadt tinham uma opinião melhor sobre o magnata. Isso fica claro nas entrevistas feitas por Wendel com os parentes alemães de Trump durante a produção do documentário.

No entanto, a desconexão do pré-candidato com a localidade no estado da Renânia-Palatinado não é completa. Ele parece ter herdado pelo menos uma das características típicas atribuídas às pessoas originárias dali, apelidadas de "Bulljesmacher" - palavra do dialeto regional que significa fanfarrão.

Império imobiliário à base de ouro

O avô de Donald Trump não garimpou em minas de ouro. Um parente explica no documentário que ele era fraco fisicamente para fazer esse tipo de trabalho. Em vez disso, Frederick abriu uma espécie de restaurante para atender os mineiros.

Ele mandava as pepitas que recebia no restaurante para a esposa Elisabeth, em Nova York. Com o ouro, ela comprou terras, e o investimento serviu de base para o império imobiliário da família.

Curiosamente, Trump não é o único milionário com raízes em Kallstadt. A família do fundador da marca de ketchup Heinz também é oriunda do vilarejo. Em seu documentário, Wendel questiona o fato dos dois empresários extraordinariamente bem-sucedidos terem origem na mesma localidade e cria um retrato bizarro da própria terra natal.

Lançado em 2014, Kings of Kallstadt fez com que o vilarejo se tornasse conhecido. Jornalistas continuam aparecendo nas casas dos parentes alemães de Trump. No documentário, o próprio pré-candidato republicano prometeu que, quando fosse para a Alemanha, visitaria a casa onde o avô viveu em Kallstadt.

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