Opinião: Que venham os chineses

Henrik Böhme

Diante da possível compra do grupo suíço Syngenta por 43 bilhões de dólares pela chinesa ChemChina, alguns temem uma "liquidação do Ocidente". Mas o negócio pode ser visto como uma oportunidade, opina Henrik Böhme.

São 43 bilhões de dólares. Tudo isso é o que a estatal chinesa China National Chemical Corp (ChemChina) pretende desembolsar pela compra do grupo suíço Syngenta, especializado em pesticidas agrícolas e sementes. Caso o negócio aconteça, seria o maior investimento chinês já feito num país europeu.

Esses 43 bilhões de dólares (quase 40 bilhões de euros) são quase o dobro da soma total de 22 bilhões de euros que investidores chineses injetaram na Europa em 2015. E no ano passado a ChemChina já era um dos atores mais prolíficos, tendo comprado a fabricante italiana de pneus Pirelli por 7 bilhões de euros e a fabricante de máquinas industriais alemã Krauss-Maffei por quase 1 bilhão de euros. Diante disso, alguns têm calafrio na espinha e temem uma liquidação do Ocidente.

As empresas chinesas estão fazendo apenas sua lição de casa. Elas implementam o que o Partido Comunista planejou. E na China, o partido continua sempre tendo razão. Por um lado, os chineses querem se afastar da imagem de fábrica de produtos baratos do mundo. Mesmo que o iPhone da Apple não seja nada barato, apesar de ser produzido na China.

Não, falando sério, seja como for, os chineses têm que reorganizar sua economia. Eles precisam e querem penetrar mais no campo da alta tecnologia e, portanto, procuram na Europa especificamente empresas de alta tecnologia. Companhias que, por exemplo, são líderes na área da produção em rede (palavra-chave da indústria 4.0). Assim, faz sentido que eles procurem também na Alemanha.

Quando o negócio dos chineses com a Krauss-Maffei foi firmado, há três semanas, aconteceram coisas maravilhosas: a direção e os funcionários foram unânimes em saudar o novo proprietário. Até mesmo o respectivo sindicato aprovou. Não é de admirar, afinal, a ChemChina prometeu a preservação das sedes e postos de trabalho, e até mesmo novos empregos devem ser criados. É claro que só o tempo vai mostrar se essas promessas são mesmo confiáveis.

Enquanto isso, na França acontece o oposto. Em vez de criar os postos de trabalho prometidos, a gigante americana General Electric está cortando maciçamente empregos na sua recém-comprada subsidiária Alstom.

Evidentemente é preciso atentar para que não ocorra apenas a transferência de know-how para a China. Em todo caso, até o momento as empresas de médio porte alemãs adquiridas tiverem experiências predominantemente positivas com seus novos proprietários chineses. A maioria vê isso sobretudo como uma oportunidade, já que, dessa maneira, fica mais fácil conquistar o mercado chinês. E mesmo que esteja passando por um período de fraqueza, esse mercado continua sendo um dos mais atraentes do mundo.

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