Clinton e Sanders trocam farpas em debate acalorado

Pela primeira vez, debate democrata inclui apenas os dois pré-candidatos. A cinco dias das primárias de New Hampshire, concorrentes acusam-se mutuamente, mas se mantêm unidos contra republicanos.

A cinco dias das eleições primárias em New Hampshire, os dois pré-candidatos do Partido Democrata para as eleições presidenciais dos Estados Unidos, Hillary Clinton e Bernie Sanders, se enfrentaram nesta quinta-feira (04/02) no debate mais acalorado da campanha até o momento.

O debate, que se estendeu por quase duas horas na Universidade de New Hampshire, foi o primeiro em que os dois se enfrentaram sozinhos, já que o terceiro candidato, Martin O'Malley, se retirou da disputa na segunda-feira, após o caucus do partido em Iowa.

A tensão provocada pela vitória de Clinton em Iowa, a mais acirrada da história do Estado, ficou refletida no enfrentamento, levando a uma forte troca de acusações.

"Basta. Esses ataques por insinuações não são dignos de você", clamou a ex-secretária de Estado, em meio a aplausos e vaias. "Se você tem algo para dizer, diga. É hora de acabar com essa astuta difamação que você e sua campanha vêm realizando nas últimas semanas."

Durante o debate, Clinton foi acusada por Sanders de atender aos interesses do setor financeiro. Segundo a imprensa americana, ela teria recebido 675 mil dólares do banco de investimentos Goldman Sachs por três apresentações realizadas em 2013.

Em resposta, a pré-candidata afirmou que a acusação dava a entender que "qualquer um que já recebeu doações ou pagamento por palestras tem que ser comprado". "Eu absolutamente discordo disso", disse, reforçando que suas opiniões nunca foram direcionadas por doações.

As diferenças ideológicas e de propostas entre ambos também ficaram muito expostas. Ao abordar a política externa, Sanders insistiu que os EUA deviam parar de agir como policiais do mundo, e "trabalhar em coligação" com outras potências ao lidar com as ameaças à segurança global. Ele lembrou seu voto contra a Guerra do Iraque, em 2003.

Clinton, por sua vez, mencionou sua experiência como secretária de Estado, afirmando que era necessário "estar pronto desde o primeiro dia", e rebateu Sanders ao dizer que "um voto de 2002 não é um plano válido para derrotar o 'Estado Islâmico'".

Clinton lembrou o público que a maior parte da carreira política de seu rival não foi no Partido Democrata, e que muitos políticos do próprio estado de Sanders, Vermont, apoiam a candidatura dela.

Em seguida, Sanders, que lidera as pesquisas para as eleições primárias em New Hampshire, admitiu que "gostaria de ver mudanças no Partido Democrata", como uma maior preocupação com as necessidades da classe trabalhadora.

De qualquer forma, a dupla ainda parecia mais amigável entre si do que em relação ao partido rival, com Sanders declarando: "Em nossos piores dias, acho que é justo dizer que somos uma centena de vezes melhor que qualquer candidato republicano".

As próximas primárias, em New Hampshire, ocorrem na próxima terça-feira, dia 9 de fevereiro. Em 2008, Clinton venceu Barack Obama no mesmo Estado, antes de eventualmente perder o apoio do partido para o atual presidente.

EK/afp/dpa/efe/rtr

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