Marchas anti-islã em ação conjunta "Fortaleza Europa"

Cerne do Pegida, Dresden recebe duas manifestações: além de até 8 mil simpatizantes do movimento anti-imigração, cerca de 2 mil pessoas pregam por mais tolerância. Houve protestos anti-islã do Reino Unido até Austrália.

O vice-secretário do Interior da Saxônia, Martin Dulig, esteve entre as cerca de 2 mil pessoas que marcharam por Dresden neste sábado (06/02), pleiteando por mais tolerância, enquanto do outro lado do rio Elba, até 8 mil seguidores do movimento anti-imigração Pegida (sigla para "Patriotas europeus contra a islamização do Ocidente" em alemão) realizavam um comício.

"Não vamos deixar que Dresden seja conhecida pelo incitamento [xenofóbico]. Estamos aqui porque queremos mostrar o verdadeiro coração de Dresden", disse Dulig. Apelando para que a manifestação - constituída majoritariamente por grupos religiosos, ativistas políticos e sindicalistas - passasse uma decidida mensagem antixenofobia, o político social-democrata frisou: "Somos a maioria, e devemos sempre dizer e mostrar isso."

O protesto envolvendo seguidores do Pegida reuniu mais manifestantes: cerca de 8 mil - embora os organizadores do movimento contassem com a presença de 20 mil. Segundo a polícia, ambas as manifestações transcorreram sem incidentes.

"Fortaleza Europa"

No evento organizado pelo Pegida houve as já usuais exigências de renúncia da chanceler federal alemã, Angela Merkel, aliadas a críticas à política de refugiados do governo. Além disso, houve transmissão ao vivo de manifestações associadas em outras cidades europeias, numa ação conjunta em todo o continente, sob o lema "Fortaleza Europa".

Na cidade francesa de Calais cerca de 150 ativistas se reuniram, apesar da proibição de passeatas. Nas cercanias de acampamentos improvisados onde milhares de migrantes vivem, os manifestantes agitavam bandeiras francesas e cantavam o hino nacional, carregando cartazes de "Esta é a nossa casa". Cerca de dez pessoas foram presas.

Na capital tcheca, houve choques entre manifestações pró e contra o Pegida, com garrafas e fogos de artifício sendo arremessados na multidão. Aproximadamente 1.500 apoiadores do movimento anti-islã se reuniram diante do Castelo de Praga, portando cartazes com dizeres como "Não à imigração" e "Parem a 'merkelarização'", numa alusão à chanceler federal alemã.

Marselhesa, rapefugees, carne de porco

Manifestações semelhantes ocorreram no Reino Unido, Eslováquia, Polônia e Holanda, por ocasião da ação "Fortaleza Europa". Em Amsterdã, houve confronto entre aproximadamente 200 seguidores do Pegida e policiais.

Em Varsóvia, Tatjana Festerling, uma líder do Pegida, convocou nacionalistas poloneses à solidariedade europeia contra a imigração muçulmana. Perante centenas de espectadores, ela evocou a "luta de poloneses, lituanos, saxões e austríacos" na defesa de Viena contra os turcos no século 17. Naquela ocasião, o exército do rei polonês teria salvo o Ocidente cristão, afirmou Festerling.

Também na capital australiana, Canberra, cerca de 400 manifestantes tomaram as ruas gritando "Quem é Alá?" e "Nós amamos carne de porco". Seus cartazes anunciavam "Rapefugees[neologismo em inglês combinando "estupro" e "refugiado"] não são bem-vindos" e "O islã é um crime contra a humanidade", entre outras mensagens xenófobas.

PV/epd/rtr/dpa/afp

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