Turquia disposta a abrir fronteiras para refugiados sírios "se necessário"

Postos fronteiriços com Síria seguem fechados, com cerca de 30 mil sírios barrados. Governo turco diz ter atingido capacidade de acolhimento. Ancara vem sofrendo crescente pressão do Ocidente para abrir suas fronteiras.

O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, disse que o país está pronto a acolher o grande número de sírios impedidos na fronteira de fugir da Síria, "se necessário".

Segundo autoridades, mais de 30 mil sírios passaram os últimos dias esperando em Azaz, na fronteira sírio-turca, depois de fugirem de uma grande ofensiva militar de Damasco na cidade de Aleppo.

"O regime [do presidente sírio, Bashar al-Assad] tem bloqueado uma parte de Aleppo. A Turquia está sob ameaça", disse Erdogan. "Se os refugiados chegarem a nossa parte e não tiverem outra escolha, se necessário deixaremos nossos irmãos entrarem."

Posto permanece fechado

O posto fronteiriço em Öncüpinar, na província turca de Kilis, no entanto, permaneceu fechado neste domingo (07/02). O governador local, Suleyman Tapsiz, afirmou que Ancara ainda não tem planos de abrir as portas, exceto numa "crise extraordinária".

Ele acrescentou que a Turquia fornecerá ajuda às pessoas deslocadas no interior da Síria, e advertiu que os ataques aéreos russos e os novos ganhos territoriais por parte das forças militares do regime de Damasco poderiam forçar até mais de 70 mil refugiados em direção à fronteira sírio-turca.

O Observatório Sírio para os Direitos Humanos, que monitora a guerra, informou que ataques aéreos presumivelmente russos atingiram neste domingo as aldeias de Bashkoy, Haritan e KFR Hamra, ao norte de Aleppo. As duas últimas ficam próximas a uma rodovia que leva à Turquia.

Enquanto isso, o vice-primeiro-ministro da Turquia, Numan Kurtulumus, afirmou à emissora CNN-Türk que, apesar de ter esgotado sua "capacidade de absorção" de refugiados, o país estaria continuando a recebê-los. Segundo o político, a Turquia já está acolhendo um total de 3 milhões de refugiados, incluindo 2,5 milhões de sírios.

No sábado, ministros do Exterior da União Europeia (UE) participaram de um encontro informal em Amsterdã, em que a chefe da política externa da UE, Federica Mogherini, recordou à Turquia o "dever moral e legal" de ajudar os refugiados.

PV/ap/rtr/afp

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