Uma alternativa moderada entre os republicanos

Michael Knigge (mp)

A segunda posição em New Hampshire, à frente de adversários mais conhecidos como Jeb Bush e Ted Cruz, tem potencial para tornar John Kasich o favorito da ala tradicional do Partido Republicano.

A estratégia de John Kasich era clara desde o dia em que ele anunciou sua intenção de concorrer à presidência, em meados do ano passado. Em um campo republicano relativamente amplo, repleto de candidatos considerados periféricos, guinando à extrema direita, ele preferiu se posicionar como uma alternativa moderada.

Se há um candidato republicano capaz de reivindicar o papel de representante da ala que atualmente comanda o partido, este é Kasich. Como governador de Ohio - um estado de disputas clássicas e bastante equilibradas entre republicanos e democratas - ele é experiente em fazer política de forma moderada.

Mesmo diante disso, Kasich é um conservador convicto. Quando tinha 18 anos, como estudante universitário, escreveu uma carta para o presidente Richard Nixon, pedindo para visitar a Casa Branca. Um Nixon impressionado respondeu, convidando o jovem a um encontro no Salão Oval. O encontro aconteceu em 22 de dezembro de 1970.

Mesmo sendo republicano convicto, Kasich se distancia do estilo radical e imprevisível de Donald Trump ou conservador e ideólogo de Ted Cruz. Durante a sua longa carreira política, ele sempre seguiu uma linha conservadora moderada.

Como congressista eleito por Ohio, em 1997, Kasich ficou conhecido quando teve papel fundamental para equilibrar o Orçamento federal pela primeira vez em décadas. Em 2001, depois de quase 20 anos no Congresso, foi contratado como executivo no banco de investimento Lehman Brothers, onde trabalhou até a crise de 2008.

É um aspecto da biografia profissional da qual Kasich prefere não falar muito a respeito. No entanto, é um assunto que adversários como Donald Trump adoram explorar. Após sua demissão do Lehman Brothers, Kasich voltou à vida política como governador de Ohio em 2011 e foi reeleito.

Para eleitores que procuram um candidato republicano com ideias mais alternativas, Kasich preenche todos os requisitos. Ele é neto de imigrantes tchecos e croatas e acredita que as mudanças climáticas são reais. O candidato mostra que quer oferecer uma perspectiva positiva aos imigrantes ilegais nos Estados Unidos. Opõe-se ao casamento gay, mas pede ao partido que "avance" nesta questão e respeite as decisões judiciais da Suprema Corte para legalizá-lo.

Criado como um católico devoto, Kasich agora diz que encontra Deus em todos os lugares e frequenta a conservadora Igreja anglicana. Ele cita a sua fé até mesmo para explicar os motivos pelos quais envolveu Ohio na reforma do programa de saúde do presidente Barack Obama, detestada pelos republicanos.

Em sua campanha, Kasich tenta seguir o melhor caminho e evitar insultos. Mas ele sempre deixa claro o que pensa sobre as posições mais radicais de seus rivais. Ele afirma, por exemplo, que o plano de Donald Trump de deportar milhões de pessoas "não é um argumento adulto".

Com o resultado expressivo em New Hampshire, Kasich agora se vê no momento ideal para tentar atrair para seu lado o establishment republicano e os conservadores desiludidos. Quanto à possibilidade de derrotar Rubio e Bush para se tornar uma alternativa de centro, ele pelo menos já conseguiu bater o seu próprio recorde: em 2000, Kasich cancelou rapidamente a campanha nas prévias republicanas, antes mesmo do início oficial.

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