França rejeita acolher mais refugiados

Poucos dias antes do encontro de cúpula da União Europeia para discutir a maior onda migratória no continente desde 1945, premiê francês afirma que seu país não está disposto a receber mais que 30 mil refugiados.

À margem da Conferência de Segurança de Munique, neste sábado (13/02) o primeiro-ministro francês, Manuel Valls, afirmou que seu país "não é favorável" a um mecanismo permanente de redistribuição de refugiados, como proposto pela chanceler federal alemã, Angela Merkel.

Valls apelou para que se respeite o acordo que estipula o acolhimento de 160 mil requerentes de asilo em nível europeu. "A França concordou em acolher 30 mil refugiados. Dentro do quadro desses 30 mil, estamos sempre dispostos a acolher os migrantes. Mas não mais que isso", ressaltou Valls em Munique.

"Nós não somos favoráveis a um mecanismo permanente de realocação. Agora é hora de pôr em prática o que foi discutido, negociado: centro de registro de migrantes que chegam à União Europeia, controle das fronteiras externas do bloco, etc", declarou o premiê francês.

Poucos dias antes do encontro de cúpula dos líderes da União Europeia, que deverá discutir a maior onda migratória no continente desde 1945 nos próximos dias 18 e 19 de fevereiro em Bruxelas, as declarações de Valls são motivo de preocupação política.

Pois Merkel quer que, ao menos a médio prazo, uma parte dos refugiados que chegam à Turquia fugindo da guerra na Síria seja redistribuída entre os países da UE. Em contrapartida, a Turquia, que acolhe no momento o maior número de refugiados, deverá impedir que eles continuem sua viagem em direção à UE, por meio de melhor controle de fronteiras.

O motivo para o curso linha-dura tomado pelo governo socialista em Paris está, principalmente, nos bons resultados obtidos pela ultraconservadora Frente Nacional nas pesquisas de opinião. Em 2017, eleições presidenciais estão previstas para acontecer na França.

Também a Polônia e a Hungria resistem aos planos de redistribuição propostos por Merkel e, como outros países-membros do bloco europeu, rejeitam acolher um número significativo de requerentes de asilo.

CA/dpa/afp

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