Bombardeios na Síria deixaram 50 mortos, diz ONU

Ataques aéreos atingem pelo menos cinco hospitais e duas escolas. Há crianças entre as vítimas. Secretário-geral Ban Ki-Moon afirma que ações violam leis internacionais. Rússia nega responsabilidade.

As Nações Unidas afirmaram nesta segunda-feira (15/02) que cerca de 50 civis foram mortos em ataques aéreos a pelo menos cinco hospitais, incluindo um da organização Médicos Sem Fronteiras (MSF), e duas escolas nas províncias de Idlibo e Aleppo, no norte da Síria. Várias pessoas ficaram feridas nos bombardeios, e há crianças entre as vítimas.

O secretário-geral Ban Ki-Moon afirmou que os ataques violam leis internacionais, além de destruir ainda mais o já devastado sistema de saúde sírio e dificultar o acesso à educação no país.

"Esses incidentes lançaram uma sombra sobre o acordo assumido pelo Grupo Internacional de Apoio à Síria na reunião do dia 11 de fevereiro em Munique", acrescentou Ban.

Um dos dois hospitais era apoiado pela Médicos Sem Fronteiras na província de Idlib. Ao menos nove pessoas morreram no ataque que, segundo denuncia a ONG, foi um ato deliberado.

"Foi um ataque deliberado contra um estabelecimento de saúde", afirmou Massimiliano Rebaudengo, chefe da missão local da MSF. "A destruição priva cerca de 40 mil pessoas de tratamentos na zona de conflito."

O hospital, que tem 54 funcionários e 30 leitos e é financiado pela MSF, teria sido atingido por quatro mísseis, em dois ataques num intervalo de poucos minutos. A ONG apoia cerca de 150 hospitais na Síria.

Um outro ataque desta segunda-feira atingiu um hospital para crianças na cidade de Azaz, perto da fronteira com a Turquia. Segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos, dez pessoas morreram - entre elas três crianças e uma mulher grávida - e mais de 30 ficaram feridas.

Na quinta-feira, representantes do grupo, do qual fazem parte a Rússia e os Estados Unidos, haviam concordado com o cessar-fogo e, no prazo de uma semana, em ampliar o acesso da ajuda humanitária no país.

Os bombardeios que destruíram dois hospitais no norte da Síria foram atribuídos às forças russas pelo grupo de monitoramento Observatório Sírio de Direitos Humanos. O embaixador da Síria na Rússia, porém, acusou os Estados Unidos pelos ataques.

A Síria sofre há quase cinco anos um conflito que já custou a vida de mais de 260 mil pessoas, segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos. Caças russos realizam bombardeios na Síria desde 30 de setembro do ano passado, em apoio ao regime do presidente Bashar al-Assad.

CN/ap/afp/dpa/rtr/efe

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