Morre aos 89 anos Harper Lee, autora de "O sol é para todos"

Escritora americana se tornou aclamada pelo livro "To kill a mockingbird", sobre injustiça racial no sul dos EUA. Romance vendeu 10 milhões de cópias, lhe rendeu um Pulitzer e teve bem-sucedida adaptação para o cinema.

Morreu nesta sexta-feira (19/02) aos 89 anos a escritora americana Harper Lee, autora de O sol é para todos (To kill a mockingbird), livro sobre injustiça racial numa pequena cidade do Alabama que vendeu mais de 10 milhões de cópias, rendeu a ela um prêmio Pulitzer e cuja adaptação para o cinema ganhou três Oscars.

A morte da escritora foi confirmada por Mary Jackson, prefeito da cidade de Monroeville, no Alabama, onde ela morava. A causa da morte não foi divulgada.

Para crianças e adolescentes de todo o mundo, há décadas que o romance O sol é para todos é uma perfeita introdução aos direitos civis e à luta pela igualdade racial.

Publicado em 1960 e adaptado para o cinema em 1962 - com Gregory Peck no papel principal -, a comovente história sobre justiça e racismo no sul dos Estados Unidos é narrada por Jean Louise "Scout", uma garota de 6 anos que tem no pai, o advogado Atticus Finch, um modelo de conduta moral. Ele defende um jovem negro de uma falsa acusação de estupro de uma mulher branca.

Em Mockingbird, Atticus Finch é o autor de frases de profundo significado moral, como "Você só vai entender uma pessoa quando considerar as coisas pelo ponto de vista dela, quando entrar na pele dela e dar uma volta por aí" ou "A única coisa que não se atém à vontade da maioria é a consciência de uma pessoa".

"Eu nunca esperei ter qualquer tipo de sucesso com Mockingbird", disse a escritora numa entrevista em 1964. "Eu esperava uma morte rápida nas mãos dos críticos."

O livro foi, durante mais de cinco décadas, a única publicação de Harper Lee, até que no ano passado, a reclusa escritora americana lançou um novo romance, em meio à discussão sobre violência policial contra os negros nos EUA.

No novo livro, Vá, coloque um vigia (Go Set a Watchman), os personagens do romance anterior são revisitados na mesma cidade fictícia de Maycomb, no Alabama - mas, agora, 20 anos depois, em 1954, logo depois da sanção da lei que tornava inconstitucional a segregação racial nas escolas.

Harper Lee dizia que preferia não publicar mais livros por causa do enorme sucesso de To Kill a Mockingbird, que valeu a ela um Prêmio Pulitzer. A escritora raramente falava em público, alegando já ter dito tudo o que precisava dizer e se comparando com o recluso personagem criado por ela mesma, Boo Radley.

RPR/ots

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