Referendo sobre saída da UE polariza britânicos

Sertan Sanderson (rc)

Nas ruas de Londres, votação anunciada para junho por Cameron divide opiniões. Permanência na União Europeia é controversa mesmo dentro do governo, e resultado do pleito é tido como imprevisível.

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, anunciou neste sábado (20/02) que o referendo sobre a permanência do Reino Unido na União Europeia (UE) será no dia 23 de junho. Em Londres, as reações a uma possível saída do país do bloco são bastante variadas.

Próximo ao Parlamento britânico, com o Big Ben ao fundo e os ônibus de dois andares transitando em meio aos táxis pretos, sob chuva fina e céu cinza, a impressão que se tem é que cidade não poderia estar mais "britânica".

Ao ser indagada sobre sua opinião quanto a uma possível saída do país da UE, uma jovem que caminha em frente ao Parlamento responde enfaticamente: "Sem dúvida, Brexit!", empregando o termo que reúne as palavras Britain e exit (Reino Unido e saída).

Entretanto, muitos britânicos não são simpáticos à possibilidade de que Reino Unido deixe de fazer parte da União Europeia. A estudante de moda Chloe observa que o ponto principal nesse debate é a imigração. Ela aponta para uma pedinte idosa que toca acordeão na esquina da avenida Whitehall com a Westminster Bridge Road.

"Aqueles que fazem campanha contra a UE querem se livrar desse tipo de pessoa. Eu não acho que ela faça mal a alguém", opina.

A turista francesa Céline Pavot se diz surpresa ao saber que o fato de o país integrar a UE seja um ponto de discórdia entre os britânicos. Para ela, seria difícil imaginar a Europa sem o Reino Unido, mas ressalta que eles sempre foram um pouco "diferentes" dentro do contexto europeu mais amplo.

A questão de uma potencial Brexit não é apenas relevante para os britânicos, mas também para os oito milhões de pessoas nascidas no exterior que vivem no Reino Unido. A sul-africana Mieling Abel, de 39 anos, conta que veio para o país quando tinha 15, e diz ter dificuldades para se posicionar quanto ao tema.

"Não acho que eu saiba o suficiente sobre isso", diz. "Acho que a maioria das pessoas não sabe o suficiente sobre a UE. Não sei se isso me afetaria pessoalmente, mas sei que se fala disso há muito tempo."

Uma possível consequência da saída britânica seria a redução da mobilidade de seus cidadãos. Este é um ponto que, para muitos, influencia contra deixar a União Europeia. Alan, de 46 anos, analisa que esta é uma questão complicada, mas diz que seu trabalho como consultor depende da permanência do país entre os europeus.

O escocês James McDonald, de 38 anos, também aprecia a liberdade de movimento que a UE dá às pessoas. "Acho que, no longo prazo, nós também deveríamos aderir ao Espaço Schengen", observa, se referindo ao acordo que estabelece a área de livre-transito entre os países da Europa.]

"Todos sabemos como a rainha entrou de última hora na campanha do referendo escocês [sobre independência do país do Reino Unido, que resultou na vitória do "não"] provocando uma reviravolta", lembra McDonald. "Espero que ela tenha algo de construtivo a dizer também sobre o referendo sobre a UE."

Os defensores e opositores do Brexit deverão iniciar em breve as suas campanhas. O tema é controverso mesmo dentro do governo de Cameron. Diversos ministros não deverão seguir o apoio do premiê em prol de uma permanência do Reino Unido na União Europeia.

Um dos mais próximos aliados de David Cameron, o secretário de Justiça, Michael Gove, e outros cinco membros do gabinete farão campanha pela saída britânica da UE. Segundo as pesquisas de opinião, o resultado do referendo é incerto.

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