França investiga escolha de sedes de Jogos Olímpicos de 2016 e 2020

Inquérito apura possíveis irregularidades no processo que elegeu Rio de Janeiro e Tóquio. COI e Comitê Rio 2016 descartam suspeitas e afirmam que não há evidências de ilegalidades.

A Justiça francesa confirmou nesta terça-feira (01/03) que ampliou o inquérito de uma investigação sobre corrupção no atletismo para apurar se houve irregularidades no processo de escolha das sedes dos Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro, e 2020, em Tóquio.

"Estamos olhando para esses elementos, mas nesse estágio é uma questão de verificação. Nada foi provado", disse um procurador financeiro da França. A informação sobre a ampliação da investigação foi publicada em uma reportagem do jornal britânico The Guardian.

De acordo com o periódico, e-mails do filho do ex-presidente da Associação Internacional de Federações de Atletismo (IAAF) Papa Massata Diack alegavam que "parcelas" deveriam ser entregues a seis membros do Comitê Olímpico Internacional (COI) durante o processo de escolha da sede dos Jogos de 2016. As mensagens teriam sido enviadas a executivos do Catar, em maio de 2008. Doha concorria como sede para 2016.

O jornal afirma que não há informações se as parcelas foram pagas, no entanto, um mês após o envio dos e-mails, Doha não entrou na listas de cidades finalistas no processo de escolha da sede de 2016.

Em janeiro, Papa Massata Diack foi banido do atletismo pela comissão de ética da IAAF por seu envolvimento em esquemas de dopings sistemáticos na Rússia e de corrupção no esporte. Ele é procurado também para prestar esclarecimentos na atual investigação na França.

O inquérito francês foi aberto em dezembro, depois que reportagens colocaram sob suspeita a escolha da cidade de Eugene, nos Estados Unidos, pela a IAAF como sede de seu campeonato de 2021. O pai de Papa Massata, Lamine Diack, comandou a associação por 16 anos e é acusado na França de receber mais de 1 milhão de euros em propina para encobrir casos de doping.

Em novembro do ano passado, Lamine Diack resignou a posição de membro honorário do COI, um dia após ser suspenso provisoriamente pelo comitê. Seu suposto envolvimento em possíveis irregularidades na escolha da sede dos Jogos Olímpicos de 2020 foi citado no relatório da Agência Mundial Antidoping (WADA).

Uma nota do documento afirmou que Diack estava disposto a vender seu voto em troca de um patrocínio de 5 milhões de dólares para eventos da IAAF. O relatório sugere que o senegalês deixou de apoiar Istambul, diante a recusa da Turquia em fazer o pagamento, e apoiou Tóquio, pois japoneses teriam aceitado o suborno.

Apenas suspeitas

O COI afirmou nesta terça-feira que não vê evidências sobre as alegações de suborno nas escolhas das sedes dos Jogos Olímpicos de 2016 e 2020, mas ressaltou que agirá se as suposições forem provadas.

"Quando tivermos evidência que nos for mostrada, vamos agir em cima disso. É algo fácil de se falar, mas ninguém tem qualquer evidência", ressaltou um porta-voz do comitê.

Já o Comitê Rio 2016 disse que venceu a disputa porque tinha o melhor projeto entre os concorrentes, e descartou qualquer possibilidade de fraude no processo em que concorreu com Madri, Tóquio e Chicago.

"O Rio de Janeiro ganhou o direito de sediar os Jogos porque tinha o melhor projeto. A diferença de votos no final, 66 a 32 (contra Madri), exclui qualquer possibilidade de uma eleição que pudesse estar viciada", disse o diretor de Comunicação do Comitê Rio 2016, Mario Andrada, à agência de notícias Reuters.

CN/rtr/ap/ots

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