Socialistas não conseguem formar governo na Espanha

Em fato inédito, Pedro Sánchez não consegue apoio suficiente para se tornar primeiro-ministro. Derrota reabre rodada de negociações entre partidos que têm dois meses para formar uma coalizão e evitar nova eleição.

O líder socialista espanhol Pedro Sánchez perdeu nesta sexta-feira (04/03) a segunda votação no Parlamento da Espanha sobre sua indicação para primeiro-ministro do país e se tornou o primeiro candidato à investidura na história da democracia espanhola que não conseguiu ser aprovado em ambas as votações.

O plano de coalizão de Sánchez foi rejeitado por 218 deputados e recebeu apoio de somente 131 parlamentares, o que colocou o país no caminho de uma segunda eleição em seis meses. O candidato precisava nesta votação apenas da maioria simples dos 350 votos, mas contou somente com o apoio do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) e da legenda de centro-direita Ciudadanos, com a qual assinou um acordo de investidura na semana passada.

Sánchez tentou atrair o Podemos para o seu governo, mas o líder do partido Pablo Iglesias se manteve em uma aliança com os partidos de esquerda. "Eu vou continuar trabalhando para conseguir a maioria que esse país precisa", disse Sánchez, depois da votação. "Pablo Iglesias traiu os eleitores do seu partido, e ele é responsável por Rajoy continuar como primeiro-ministro."

A derrota de Sánchez disparou a contagem de dois meses para os partidos formarem um governo, período depois do qual uma nova eleição será convocada, provavelmente para o final de junho. As negociações, no entanto, têm resultado em ataques duros que revelam as tensões entre a esquerda e a direita.

O primeiro-ministro em exercício, Mariano Rajoy, comunicou em janeiro ter desistido de formar um novo governo por não desfrutar do apoio necessário de outros partidos.

A Espanha tenta definir seu novo chefe de governo desde as eleições de 20 de dezembro, quando o Partido Popular (PP), de Rajoy, foi a legenda mais votada, mas não conseguiu a maioria absoluta. O PP conquistou 123 deputados no Parlamento de 350 assentos, 53 a menos que o necessário. O PSOE elegeu 90 parlamentares e o Podemos conquistou 69 assentos.

CN/rtr/lusa/afp

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