Netanyahu cancela viagem e azeda mais relação com EUA

Autoridades americanas demonstram surpresa com o cancelamento da visita do premiê israelense a Washington, confirmada há duas semanas. Gesto acirra deterioração nas relações bilaterais.

O premiê israelense, Benjamin Netanyahu, surpreendeu as autoridades americanas ao cancelar uma visita de Estado programada para o dia 18 de março, em Washington.

"Estávamos ansiosos para receber o encontro bilateral e ficamos surpresos ao receber a informação, primeiramente através de relatos na imprensa, de que o primeiro-ministro, ao invés de aceitar nosso convite, optou pelo cancelamento da visita", afirmou o porta-voz do Conselho Nacional de Segurança dos Estados Unidos, Ned Price.

A data da visita havia sido escolhida por Israel e foi aceita pela Casa Branca há duas semanas, afirmou Price. "Informações de que não estávamos aptos a acomodar a agenda do primeiro-ministro são falsas", disse o porta-voz.

O gabinete de Netanyahu disse nesta terça que o premiê manifestou apreço pela disposição de Obama de recebê-lo, mas que Netanyahu não quer ser envolvido na campanha presidencial dos EUA, em que os candidatos têm tentado fazer valer suas posições como amigos de Israel.

Zeev Elkin, um ministro do gabinete israelense próximo de Netanyahu, negou que o governo Obama tenha sido pego desprevenido, dizendo que o embaixador de Israel, Ron Dermer, avisou a Casa Branca com antecedência que a viagem poderia não acontecer.

A viagem de Netanyahu aos EUA deveria coincidir com um encontro do principal lobby pró-Israel no país, a Aipac.

A recusa do premiê israelense é sinal de um abalo na relação entre os dois líderes, que se agravou desde a conclusão do acordo nuclear com o Irã no ano passado.

Israel ainda é o maior aliado dos EUA no Oriente Médio. Netanyahu, porém, fez críticas contundentes ao acordo, afirmando que poderá fortalecer o regime dos aiatolás.

Em março do ano passado, o premiê rompeu protocolos diplomáticos ao discursar diretamente ao Congresso americano, atendendo a um convite do Partido Republicano. Na ocasião, Netanyahu pediu aos congressistas que não aprovassem o acordo nuclear com Teerã.

Durante a viagem, a poucos dias das eleições em Israel, a Casa Branca se negou a recebê-lo. Os líderes dos dois países, porém, se reuniram em novembro num esforço para reforçar os laços diplomáticos.

Os EUA e Israel negociam um acordo de defesa que envolve bilhões de dólares, uma vez que o acordo em vigor se encerra em 2018. Sob o pacto atual, Israel recebe 3,1 bilhões de dólares anualmente.

Em fevereiro, Netanyahu e membros de seu gabinete afirmaram que Israel poderá aguardar até a posse do próximo presidente americano em 2017, para, possivelmente, assegurar melhores condições nas negociações sobre novo acordo.

O vice-presidente americano, Joe Biden, chega ainda nesta terça-feira para ter conversas separadas na quarta-feira com Netanyahu e com o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, nas quais não se espera um rompimento do impasse nos esforços de paz mediados pelos EUA.

RC/afp/rtr/ap

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