Fechamento da rota dos Bálcãs explicita divisão da UE

Merkel critica fechamento unilateral de fronteiras por "deixar a Grécia numa situação difícil" e reitera busca por solução europeia. Do outro lado, governo da Áustria defende decisão e diz que ela é definitiva.

A União Europeia (UE) se mostrou nesta quinta-feira (10/03) dividida quanto às decisões unilaterais da alguns países - incluindo os Estados-membros Eslovênia e Croácia - de fechar suas fronteiras aos imigrantes ilegais.

O bloqueio da chamada rota dos Bálcãs, levado a cabo também pela Macedônia e pela Sérvia, deixou milhares de migrantes retidos e sem perspectivas, a maioria deles na Grécia, e explicitou o grau de divisão dentro da UE.

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Em essência, todos os europeus querem a mesma coisa: diminuir o ingresso de refugiados na UE. Só que a chanceler federal alemã, Angela Merkel, defende que isso se dê por meio de um acordo com a Turquia. Já o chanceler federal da Áustria, Werner Faymann, diversas nações dos Bálcãs e do Leste Europeu, bem como o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, defendem o fechamento de fronteiras.

"Essa não é a solução do problema", afirmou Merkel, em referência ao fechamento da rota dos Bálcãs, à emissora alemã MDR. "Devemos sempre, como bloco de 28 nações, buscar uma solução comum", disse, condenando atitudes tomadas isoladamente.

"Essa decisão unilateral da Áustria e, em seguida, de países dos Bálcãs, deixa-nos com menos refugiados, mas também deixa a Grécia numa situação difícil. Essa situação não é sustentável nem duradoura. É por isso que estou à procura de uma solução realmente europeia, que é uma solução para todos os 28 países", sublinhou Merkel.

Em reação aos comentários de Merkel, o governo em Viena acusou Berlim de vender esperanças falsas para os refugiados e de não encarar o problema de frente. "A rota dos Bálcãs permanecerá fechada de forma duradoura. Esse fluxo descontrolado em direção ao centro da Europa deve ser coisa do passado", disse a ministra austríaca do Interior, Johanna Mikl-Leitner, em Bruxelas.

Ela responsabilizou a política migratória alemã pela situação dramática nos campos de refugiados, como o de Idomeni, na fronteira da Grécia com a Macedônia, onde milhares de migrantes vivem em condições precárias. "Se você promover esperanças falsas, então dezenas de milhares vão se botar a caminho", afirmou Mikl-Leitner.

O coordenador do governo alemão para refugiados, Peter Altmaier, afastou as preocupações quanto a um rompimento da harmonia dentro da UE, mas criticou o fechamento das fronteiras nos Bálcãs. "Não poderemos resolver o problema enviando os refugiados de um lado para o outro como sacos de batatas" enfatizou.

Altmaier, porém, se disse esperançoso quanto ao acordo entre a UE e a Turquia, que estabelece medidas para tentar diminuir o fluxo de refugiados rimo à Europa. "Essa é a primeira vez que temos chances reais de resolver o problema", ressaltou.

Com o fechamento das fronteiras em países dos Bálcãs, o número de refugiados que chegam diariamente à Alemanha diminuiu drasticamente. Nesta quarta-feira, apenas 125 pessoas foram registradas pela polícia alemã. Na terça foram 162 pessoas.

RC/afp/dpa/rtr/lusa

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