ONU denuncia estupro como pagamento no Sudão do Sul

Governo sul-sudanês autoriza forças de segurança a cometer abusos em massa, incluindo violência sexual e assassinatos. Em cinco meses, foram registrados mais 1,3 mil estupros em apenas um dos dez estados do país.

Um relatório da ONU revelou nesta sexta-feira (11/03) que militares das forças de segurança do Sudão do Sul foram autorizados a estuprar mulheres como forma de pagamento. O documento denunciou ainda crimes brutais cometidos contra crianças e deficientes que são queimados vivos.

"Trata-se de uma situação de direitos humanos entre as mais horríveis no mundo, com uma utilização em massa de violações como instrumento de terror e como arma de guerra", afirmou o alto comissário das Nações Unidas para Direitos Humanos, Zeid Ra'ad al-Hussein.

Os investigadores descobriram que algumas milícias armadas filiadas ao governo foram autorizadas a estuprar e raptar mulheres e meninas, além de saquear propriedades, como forma de pagamento. Entre abril e setembro do ano passado, somente em Unidade, um dos dez estados do Sudão do Sul, foram registrados mais 1,3 mil estupros.

O relatório denuncia casos de pais que foram obrigados a presenciar o abuso sexual cometido contra seus filhos. Uma mulher contou aos investigadores que foi estuprada por cinco soldados na frente de seus filhos. Em outro incidente, soldados discutiram se deveriam estuprar uma menina de seis anos e resolveram, então, matá-la.

Desde o início do conflito em 2013, a ONU recebeu 702 relatos de abuso sexual cometido contra crianças, incluindo estupros coletivos de vítimas com menos de nove anos de idade.

Assassinatos em massa

O documento contém ainda relatos sobre casos de civis suspeitos de apoiar a posição, incluindo crianças e deficientes, que teriam sido queimados vivos, sufocados em containeres, enforcados em árvores ou cortados em pedaços.

"A escala e o tipo de violência sexual - cometidas principalmente pelas forças governamentais e milícias filiadas - são descritas com detalhes terríveis e devastadores, como a atitude, quase casual, mas calculada, daqueles que massacraram civis e destruíram propriedades e meios de subsistência", acrescentou al-Hussein.

Nos 12 meses anteriores a novembro de 2015, estima-se que mais de 10,5 mil civis morreram no estado de Unidade, mais de 7,1 mil deles devido à violência. O relatório afirma que os padrões de assassinato não foram aleatórios, isolados ou acidentais, mas parecem ser deliberados, sistemáticos e baseados na etnia.

Embora todos os envolvidos no conflito cometam atrocidades, o documento afirma que "atores estatais" são os maiores responsáveis pelos crimes. O relatório é resultado do trabalho de uma equipe de avaliação que esteve no país entre outubro de 2015 e janeiro de 2016.

O relatório recomenda que o Conselho de Segurança da ONU expanda as sanções impostas ao país, inclusive com um embargo abrangente de armas e considera levar a questão à Corte Penal Internacional, caos outras vias judiciais falhem.

A guerra civil no Sudão do Sul teve início em dezembro de 2013, levando caos ao mais novo país do mundo. O conflito já matou milhares de pessoas e obrigou mais de 2 milhões de civis a abandonarem suas casas.

CN/rtr/lusa/afp/ap

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