Derrota em Ohio desacelera candidatura de Trump

Spencer Kimball, de Cincinnati, EUA (md)

Depois de perder importante prévia para John Kasich, controverso pré-candidato à presidência dos EUA pode ver crescer resistência de republicanos moderados à sua nomeação para disputar a presidência.

Dias após protestos terem forçado Donald Trump a cancelar um comício em Chicago, o pré-candidato republicano sofreu uma derrota significativa na importante primária de Ohio.

John Kasich, o governador moderado de Ohio, conseguiu chegar à frente na apertada disputa desta terça-feira (15/03), privando Trump de todos os 66 delegados, segundo a regra do tudo ou nada válida no estado ("the winner takes all"). Segundo a regra, o vencedor das primárias republicanas leva todos os delegados do estado, em vez de eles serem distribuídos de forma proporcional.

A derrota do bilionário em Ohio desacelera sua marcha rumo à nomeação republicana. "Perder Ohio significa que ele vai ter que lidar com Kasich por mais tempo, mas não significa que processo chegou ao fim", avalia David Nevin, especialista em política americana da Universidade de Cincinnati.

"Pela forma que estão configurados o mapa e a regra winner-take-all, vai ficar mais fácil para Trump conquistar grandes totais de delegados daqui por diante", acredita Nevin.

Estilo de Trump assusta

Eleitores republicanos de Ohio, como Frank Beierle acham o estilo de Trump ríspido demais para a presidência. O mecânico aposentado de 69 anos preferiu dar seu voto para o senador do Texas Ted Cruz. "Tenho medo que Trump nos leve a uma guerra", afirma Beierle, morador da pequena St. Bernard. "Ele tem uma atitude dura demais. Precisamos de um presidente que seja um pouco mais discreto."

Sheri, mulher de Beierle, votou na primária democrata de Ohio, que também foi realizada nesta terça-feira. Aflita com a retórica racista de Trump, ela depositou seu voto em Hillary Clinton. "Temos dois netos mestiços, que são metade negros", ressalta. "Quero que a vida deles seja melhor do que a minha e a de meus filhos."

Clinton X Sanders

O músico Jarrell Booker, de 23 anos, se diz preocupado com as relações raciais nos EUA. Ele votou no oponente socialista de Hillary Clinton, Bernie Sanders. "Sinto que ele está do lado dos negros", diz Booker. "Com tudo o que está acontecendo, com a brutalidade da polícia e tudo isso, ele nos defende, se afirmando como um líder."

Clinton, entretanto, derrotou Sanders tanto em Ohio como na Flórida. Apesar de ter perdido em dois estados-chave, Sanders, senador de Vermont, provavelmente permanecerá na disputa, incentivado pelo apoio de fervorosos militantes de base.

"É fácil ver um cenário em que ele permanece na corrida, porque ele tem seguidores fervorosos", diz Nevin, ex-redator de discursos do candidato democrata fracassado à presidência Martin O'Malley. "Eles estão financiando sua campanha, eles querem ouvir a mensagem dele", acrescenta. "Ele é menos dependente de ganhar estados que qualquer outro candidato em qualquer dos partidos, no sentido de ter uma campanha."

Caminho mais complicado

A derrota de Trump em Ohio foi um contrapeso à vitória dele na Flórida, onde superou o senador Marco Rubio por um resultado de dois dígitos. Rubio saiu da corrida, depois de sofrer a derrota esmagadora em seu próprio estado.

Sem conseguir enterrar a campanha de longo fôlego de Kasich e ainda enfrentando um Cruz formidável, o caminho de Trump para a nomeação republicana se tornou mais complicado. Embora o magnata do mercado imobiliário continue a ser o principal pré-candidato republicano, seus adversários acumularam um número crescente de delegados e podem se unir para bloqueá-lo na convenção do partido em julho.

"Ele pode angariar uma parcela do eleitorado que é claramente favorável a ele, mas eu não sei para onde eles iriam de outra forma", pondera Daniel Birdsong, especialista em política americana da Universidade de Dayton.

O estudante de Marketing Chris Beckham, de 19 anos, é parte desse eleitorado. Ele acredita que Trump oferece a melhor chance para os conservadores vencerem a eleição presidencial. "Ele é o único que pode unir o Partido Republicano, que pode derrotar Hillary Clinton", afirma. "Ele faz com que muitos independentes e democratas passem a votar no Partido Republicano."

Na primária aberta de Ohio, os democratas foram autorizados a votar na eleição republicana e vice-versa. Entretanto, a mudança de democratas para o lado republicano pode ter afetado Trump.

Embora seja eleitor de Sanders, Roger Fecher, morador de Ohio, quase votou num republicano na terça-feira. "Pensei em votar na primária republicana só para votar contra Trump", ressalta. "Mas já que Sanders ainda tem chance, pensamos que seria importante votar nele."

A derrota de Trump na primária de Ohio pode ser significativa para a eleição geral. "Ohio vota como todo o país vota", lembra Nevin. "[O estado] é demograficamente diversificado, é economicamente diversificado. Se você consegue ganhar aqui numa primária, isso é um sinal positivo sobre sua capacidade de ganhar em outro lugar."

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