Detido, Abdeslam é formalmente acusado

Capturados em Bruxelas, fugitivo do 13 de Novembro e um cúmplice recebem alta. Governo francês pretende requerer extradição expressa, mas Salah Abdeslam se recusa, preferindo colaborar com autoridades belgas.

Salah Abdeslam, o principal suspeito dos atentados do 13 de Novembro, e um presumível cúmplice receberam alta neste sábado (19/03) da clínica Saint-Pierre, em Bruxelas, sendo entregues a investigadores belgas para interrogatório. Ambos estavam sendo tratados das feridas sofridas durante sua captura, na sexta-feira.

Um juiz de instrução já acusou Abdeslam formalmente de envolvimento nos atos terroristas de Paris. A família expressou alívio pela detenção, sobretudo por ele ter sido apanhado com vida e porque "agora a caça teve fim", comunicou a advogada dos Abdeslam.

Duas outras pessoas ligadas ao 13 de Novembro ainda estão sendo procuradas: Mohamed Abrini, também residente de Molenbeek, e um outro homem conhecido pelo pseudônimo "Soufiane Kayal".

Extradição expressa

Após o interrogatório, será decidido sobre a extradição dos dois suspeitos para a França. Antes, o presidente francês, François Hollande, anunciara que seu país pretendia acelerar ao máximo o processo.

Um acordo de 2002 agiliza as extradições entre Estados-membros da União Europeia, reduzindo-as a um processo puramente jurídico e eliminando qualquer aspecto político. Para crimes graves, como de terrorismo, o procedimento é ainda mais rápido.

Segundo o advogado de Abdeslam, contudo, o francês de origem marroquina não quer se extraditado, mas sim permanecer na Bélgica e colaborar com a polícia local.

O promotor público belga Eric van der Sypt explicou que, em seguida à detenção, o juiz tem 24 horas para expedir mandado de prisão - prazo que pode ser prorrogado por mais um dia.

"Se ele começar a falar, então deduzo que isso significa que vai permanecer mais tempo na Bélgica." No entanto, "mais cedo ou mais tarde ele será extraditado para a França", antecipa Van der Sypt.

"Golpe importante no EI"

A família Abdeslam vive desde a década de 1960 no bairro bruxelense de Molenbeek, onde o jovem de 26 anos foi capturado, após 125 dias de buscas. Além do segundo suspeito levado à clínica Saint-Pierre, também foram detidos três parentes de Salah que lhes haviam dado refúgio.

O ministro francês do Interior, Bernard Cazeneuve, classificou a detenção do suposto terrorista de Paris como uma vitória contra o terrorismo na Europa e um "importante golpe contra o Daesh" - nome árabe para a milícia jihadista "Estado Islâmico" (EI).

"As operações da semana passada nos permitiram incapacitar diversos indivíduos que são, claramente, extremamente perigosos e totalmente determinados", declarou Cazeneuve, durante uma reunião do Conselho de Segurança francês.

Convocado por Hollande em seguida à prisão de Abdeslam, o encontro do grêmio em Paris visou fazer um primeiro balanço das batidas antiterror na Bélgica, assim como deliberar sobre futuras medidas na França e no resto da Europa.

Atividades na Alemanha

Salah Abdeslam é acusado de desempenhar um papel-chave nos ataques que resultaram em 130 mortes em 13 de novembro de 2015, na capital francesa. Ele teria organizado os automóveis de aluguel e alojamentos para os comandos terroristas, além de transportar vários dos envolvidos até os locais dos crimes.

Segundo a emissora alemã SWR, com base em fontes policiais, o franco-marroquino também teria preparado os atentados de Paris na Alemanha, transportando de Ulm três possíveis cúmplices, na noite de 2 para 3 de outubro de 2015.

Num carro alugado em seu nome, ele teria viajado até um abrigo de refugiados na cidade no sul alemão, onde apanhou três homens que haviam se identificado como sírios. Em seguida, retornou com eles à França, aparentemente no prazo de apenas cerca de uma hora. As autoridades alemãs não se pronunciaram até agora sobre as alegações da SWR.

AV/afp/ap/rtr/dpa

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