Obama vê fim do embargo, e Castro nega haver presos políticos

Karina Gomes

Em visita histórica a Cuba, presidente americano diz que fim do bloqueio econômico esbarra em "sérias divergências" sobre democracia. Líder cubano diz que direitos humanos não devem ser "politizados".

Em pronunciamento durante visita histórica em Havana, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, afirmou nesta segunda-feira (21/03) estar confiante de que o embargo comercial a Cuba terá fim. "Quando não posso dizer ao certo", ressalvou.

Segundo Obama, um dos principais impedimentos para o aprofundamento das relações entre os dois países são "sérias divergências" em relação à democracia e aos direitos humanos.

O presidente americano afirmou que os EUA não veem Cuba como uma ameaça e falou em um nuevo dia na relação entre os dois países. "O futuro de Cuba não será decidido pelos Estados Unidos, mas pelos cubanos", disse no Palácio da Revolução.

Os dois países reataram as relações diplomáticas em julho do ano passado. Apesar da reaproximação, o embargo comercial imposto pelos Estados Unidos durante a Guerra Fria ainda está em vigor e, com a resistência dos congressistas republicanos, dificilmente será removido.

Ao lado de Obama, o presidente cubano, Raúl Castro, disse que a persistência do embargo comercial à ilha e a ocupação americana na base naval de Guantánamo são os dois principais obstáculos para a normalização das relações bilaterais.

Segundo Castro, a reaproximação que acontece desde 2015 e os avanços conquistados desde então são positivos, mas insuficientes. O embargo, com efeitos "intimidatórios", tem sido o maior impedimento para o desenvolvimento econômico de Cuba.

"Temos profundas diferenças que nunca serão superadas", afirmou o presidente cubano. "EUA e Cuba precisam colocar em prática a arte da coexistência civilizada."

Em rara entrevista para a imprensa, Castro foi questionado sobre quando soltará os presos políticos do regime. "Cuba não tem prisioneiros políticos", afirmou. "Me dê uma lista dos prisioneiros políticos, e eu vou soltá-los imediatamente, ainda nesta noite", disse. Para Castro, os direitos humanos não devem ser "politizados".

Acordos

De acordo com Obama, o fim do embargo comercial vai depender, além de uma maioria no Congresso americano, de mudanças efetivas na ilha.

Obama também lembrou que esteve na China e no Vietnã, países onde ocorrem violações de direitos humanos. "Podemos forçar por mudanças, mas elas têm de sair de dentro do país", disse.

O governo dos EUA já havia feito mudanças regulatórias para facilitar o comércio e as viagens entre os dois países. Durante esta visita, Obama e Castro assinaram acordos na área ambiental, naval e agrária. Os países também se comprometeram em aprofundar a cooperação no combate a doenças, como o vírus zika e o câncer.

Obama foi recebido neste domingo com aplausos em Havana, junto com sua família para uma visita de 48 horas a Cuba, após décadas de hostilidades entre os dois países. Essa é a primeira vez que um líder americano visita a ilha caribenha em 88 anos.

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