Opinião: É hora de fazer mais contra o terror

Bernd Riegert

Europeus não vão se deixar abater após mais um atentado, desta vez em Bruxelas. Agora é preciso acirrar a luta contra o extremismo islâmico, opina Bernd Riegert, correspondente da DW na capital belga.

Foi um choque tremendo: em pleno coração da Europa, os terroristas miraram e acertaram o alvo. Cidadãos inocentes foram mortos, centenas ficaram feridos. Violência sem sentido. A medonha face do terrorismo islâmico se mostrou em Bruxelas, nesta terça-feira (22/03). A Bélgica acabara de respirar um pouco aliviada depois de finalmente conseguir capturar um dos terroristas de Paris, na última sexta-feira, e agora, isso.

O Portão de Brandemburgo, em Berlim, e a Torre Eiffel, em Paris, serão iluminados com as cores nacionais belgas. Todos os europeus devem agora se dar os braços e gritar bem alto para os terroristas: "Je suis Bruxelles". Nós não nos deixaremos abater.

"Deus é grande!", bradou um dos autores do ataque no Aeroporto Zaventem, antes de detonar seu cinto de explosivos. Matar em nome da religião. Após os muitos ataques em Paris, Istambul e outros lugares, nós nos autoconvencemos de que se pode dissociar islã de terror, mantê-los separados de modo racional.

Talvez se devesse repensar essa visão. Pode-se continuar aceitando que, não só no bairro belga de Molenbeek, terroristas islamistas sejam acobertados ou ocultados por seus irmãos de fé? Não há guerra no Oriente Médio, nem alegada exclusão, nem suposta discriminação dos muçulmanos que possa ser justificativa para o terrorismo.

É indiscutivelmente hora de fazer mais contra o terror. Os terroristas conseguem assassinar indiscriminadamente, paralisar todo um país, instigar o caos. O Estado precisa revidar com todo rigor. Se os órgãos de segurança interna e a polícia precisarem de mais instrumentos, então que os recebam. Proteção de dados pessoais e direito à privacidade devem ficar em segundo plano na análise de dados de comunicações, por exemplo. É a segurança de todos nós que está em jogo.

Deve-se reagir "de forma tranquila, refletida e solidária", disse o primeiro-ministro belga, Charles Michel. É verdade, mas é preciso que finalmente se reaja. Os serviços secretos da Europa devem cooperar melhor. Vem-se tentando isso há anos, e o efeito esperado ainda não se fez sentir.

O trabalho de reconhecimento deve ser reforçado, também a prevenção. Não pode ser que tenhamos de observar inativos enquanto islamistas radicalizados retornam da Síria ou do Iraque para a Europa e que eles só possam ser observados enquanto não tiverem cometido nenhum delito. Essas pessoas, que formam a coluna vertebral das células terroristas na Europa, devem perder a cidadania já ao deixar o continente, e com ela, sua passagem de volta para a UE.

Além disso, claro, é também preciso proteger melhor as fronteiras externas da UE. O controle permanente de ingressos e saídas dos cidadãos europeus não é realizado até o momento. E ele deve ser introduzido muito mais rapidamente do que se planejava.

Na Bélgica, ao que tudo indica, as redes terroristas puderam se expandir, sem obstáculos, durante anos. E agora isso deixa um gosto amargo. Mas será que a situação é melhor em outros Estados-membros da UE, como França e Alemanha?

Os ataques dos covardes terroristas nos deixam sem palavras, irados, porque nos sentimos indefesos. Afinal, o que podemos fazer?

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