Governo em Trípoli anuncia renúncia

Autoridades na capital da Líbia cedem poder para governo nacional de unidade que foi negociado e apoiado pela ONU. País está dividido desde a queda do ex-ditador Kadafi.

O governo da Líbia em Trípoli afirmou nesta terça-feira (05/04) que está cedendo o poder para o governo nacional de unidade, negociado e apoiado pela ONU. O anúncio foi feito uma semana após a chegada na capital de membros dessa gestão, incluindo o primeiro-ministro Fayez al-Sarraj.

Segundo o Ministério da Justiça em Trípoli, a decisão foi tomada depois de uma reunião que visava preparar a transferência pacífica do poder. "Informamos que estamos interrompendo nosso trabalho como poder executivo, como presidência, e de membros do Parlamento e ministros do governo", disse o ministério, em comunicado.

O documento diz ainda que as autoridades em Trípoli decidiram deixar o poder, pois estão determinadas a preservar os interesses do país e "evitar derramamentos de sangue e divisões". O documento ressalta que o governo na capital é não mais responsável por acontecimentos futuros.

O enviado das Nações Unidas para a Líbia, Martin Kobler, disse que o anúncio é uma boa notícia, mas acrescentou que "ações precisam seguir as palavras".

País dividido

A Líbia mergulhou no caos após a deposição e morte do ditador Muammar Kadafi, em 2011. Desde 2014, a divisão do país somente aumentou, com a formação de dois governos e dois parlamentos - o reconhecido internacionalmente, em Tobruk, no leste do país, e o apoiado pelos islamistas, na capital, Trípoli. Cada um dos lados conta com o apoio de uma série de milícias.

O novo governo nacional de unidade surgiu de um acordo mediado pela ONU, em dezembro. Líderes políticos dos grupos opostos assinaram, no Marrocos, o tratado que tenta acabar com a divisão do país.

O governo de unidade, porém, tem enfrentado críticas de ambos os lados e ainda precisa ser aprovado pelo Parlamento reconhecido pela comunidade internacional.

A Líbia sofre ainda com o surgimento de um grupo afiliado aos terroristas do "Estado Islâmico" (EI), o qual reivindicou responsabilidade por uma série de ataques mortais. O objetivo dos jihadistas seria expandir seu território e assumir o controle sobre campos de petróleo - a única fonte de riqueza do país.

CN/rtr/afp/lusa

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