Holanda rejeita acordo europeu com a Ucrânia

Em referendo, mais de 61% dos eleitores dizem não a tratado de livre comércio com Kiev. Resultado é comemorado por eurocéticos. Holanda é único país da União Europeia que ainda não ratificou medida.

Em um referendo, os holandeses rejeitaram nesta quarta-feira (06/04) o acordo de livre comércio assinado entre a União Europeia (UE) e a Ucrânia em 2014. Segundo agência de notícias holandesa ANP, 61,1% dos eleitores votaram contra o tratado e 38% foram a favor. A contagem dos votos já foi apurada em 99,8% das urnas.

Resta ainda a dúvida se o número de pessoas que foram às urnas será suficiente para atingir o mínimo de 30% do eleitorado para validar a votação. De acordo com a ANP, porém, a participação eleitoral chegou a 32,2%. Dessa maneira, o boicote ao acordo é válido e o governo do primeiro-ministro Mark Rutte deve colocá-lo em vigor.

O resultado foi comemorado por grupos eurocéticos. "Parece que o povo holandês disse não à elite europeia e não ao acordo com a Ucrânia. Começa o fim da UE", disse o político holandês de extrema direita Geert Wilders, líder do Partido para a Liberdade (PVV).

A Holanda é o único dos 28 países membros do bloco que ainda não ratificou o acordo comercial com a Ucrânia. O documento já havia sido aprovado pelas duas Casas do Parlamento holandês. O futuro do tratado no país é incerto. Após os primeiros resultados, o premiê disse que a vontade do povo não poderia ser ignorada.

"Se a participação for maior do que 30%, com a grande vitória do não, não é possível prosseguir e ratificar o acordo", disse Rutte, ressaltando, no entanto, que irá discutir a decisão com seu gabinete e os Parlamentos holandês e europeu nas próximas semanas.

Críticas à adesão da Ucrânia

Os críticos ao acordo que regula as transações comerciais entre Kiev e Europa temiam que ele resultasse, posteriormente, na adesão da Ucrânia ao bloco. Os adversários da medida alegaram que a UE que não deveria estar negociado com o governo ucraniano devido aos escândalos de corrupção no país. Recentemente, os documentos revelados pela série de reportagens "Panama Papers" mostraram que o presidente ucraniano, Petro Poroshenko, possui dinheiro em empresas offshore.

Esse foi o primeiro referendo na Holanda desde que a população rejeitou à Constituição europeia em 2005.

CN/ap/afp/lusa

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