Le Pen é condenado por negação de crimes contra a humanidade

Tribunal francês multa fundador do partido extremista Frente Nacional em 30 mil euros por ele reafirmar que câmaras de gás dos nazistas foram "detalhe" da Segunda Guerra. É a terceira condenação dele pelo comentário.

O fundador e ex-presidente do partido francês de extrema-direita Frente Nacional (FN), Jean-Marie Le Pen, foi condenado nesta quarta-feira (06/04) na França a pagar uma indenização de 30 mil euros por reafirmar que as câmaras de gás nazistas eram apenas um "detalhe" na história da Segunda Guerra Mundial.

Um tribunal em Paris considerou Le Pen, de 87 anos, culpado da acusação de negar crimes contra a humanidade. A corte rejeitou o argumento da defesa, que afirmava que Le Pen tem imunidade parlamentar por ser membro do Parlamento Europeu.

Le Pen terá ainda que pagar outros 10 mil euros por prejuízos às três associações que o processaram. Os juízes ordenaram que o veredicto seja publicado em três grandes jornais franceses.

A primeira vez que o político fez a declaração sobre as câmaras de gás foi em 1987. A afirmação foi repetida na Alemanha, em 1997, e no Parlamento Europeu, em 2008 e 2009. Le Pen já foi condenado duas vezes por esse comentário, em 1991 e em 1999. No ano passado, ele voltou a fazê-lo, numa entrevista para a televisão, e o caso foi novamente levado à Justiça.

Além disso, em 2012, um tribunal condenou Le Pen, também por negar crimes de guerra, por ele ter dito que a ocupação nazista da França não foi "particularmente desumana".

Os comentários do ano passado foram o estopim de uma disputa familiar dentro do partido. Sua filha e sucessora, Marine Le Pen, que assumiu a liderança da FN em 2011, rompeu com o pai e o expulsou da legenda. Marine Le Pen espera conquistar votos à frente da FN na eleição presidencial de 2017 e, por isso, tenta livrar o partido da imagem de antissemita e racista.

Também nesta quarta-feira, Le Pen foi condenado por um tribunal de Nice, no sul da França, a pagar multa de 5 mil euros por declarações que ele deu em 2013 sobre a etnia rom. Ele afirmou que a presença deles na cidade era "urticante" e "fedorenta".

CN/ap/afp/rtr

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