Eurocéticos comemoram resultado de referendo na Holanda

"É o começo do fim da Europa", afirma o populista de direita Geert Wilders. No Reino Unido, partido Ukip vê impulso à campanha pela saída do país da UE e fala em "evolução das democracias ocidentais".

A Comissão Europeia se manifestou de maneira meramente protocolar sobre o resultado do referendo na Holanda, com o presidente Jean-Claude Juncker se declarando "triste". Mas uma afirmação de Juncker anterior à consulta desta quarta-feira (06/04) deixa claro que o "não" holandês é mais um duro golpe para o bloco.

Para o político luxemburguês, um voto contra o acordo de associação da Ucrânia com a União Europeia (UE) poderia "abrir as portas para uma crise no continente". E o voto contra aconteceu: os holandeses disseram "nee" num referendo cujos iniciadores haviam deixado claro que não se tratava apenas da Ucrânia, mas da relação da Holanda com a UE.

Apesar de o referendo não ser vinculativo, a vitória do "não", com mais de 60%, é expressiva demais para ser simplesmente ignorada pelo governo do primeiro-ministro Mark Rutte. O acordo já havia sido aprovado com ampla maioria pelo Parlamento holandês, mas ainda aguarda ratificação do país, o único na União Europeia que ainda não o fez.

O presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, afirmou que tomou conhecimento do resultado e lembrou que o acordo segue em vigor. "Manterei contato com o chefe de governo holandês e vou aguardar para saber que conclusões ele vai tirar da consulta e quais serão suas intenções."

Já o governo da Ucrânia afirmou não ver riscos à cooperação do país com a União Europeia. "Do ponto de vista estratégico, o referendo não coloca em risco o caminho da Ucrânia para a Europa", afirmou o presidente Petro Poroshenko. O ministro do Exterior, Pavlo Klimkin, disse que esperava um resultado melhor, mas que, na prática, nada muda. "O acordo continuará sendo implementado."

"Não à ideologia europeia"

Como era previsível, os eurocéticos festejaram o resultado. "Hoje, a Holanda pode recuperar um pedaço da sua soberania da elite de Bruxelas e Haia", escreveu o populista de direita holandês Geert Wilders no Twitter. "É o começo do fim da Europa", acrescentou.

Um dos iniciadores da consulta, Thierry Baudet, disse que não esperava um resultado tão expressivo. "Estou orgulhoso por tantos holandeses terem dito não à ideologia europeia, pois o acordo com a Ucrânia é uma expressão dessa ideologia. E o resultado nos dá coragem para prosseguir."

O referendo foi acompanhado de perto pelos eurocéticos britânicos do Ukip. Para eles, o resultado dá impulso à sua campanha pela saída do Reino Unido da União Europeia. Em 23 de junho, o Reino Unido fará um referendo sobre a sua permanência no bloco europeu.

"Hurra!", escreveu no Twitter o líder do Ukip, Nigel Farage, que é membro do Parlamento Europeu. "O referendo holandês sobre o acordo de expansão da UE com a Ucrânia é realmente um referendo do povo." Para ele, o esforço dos organizadores para que o referendo acontecesse é "uma conquista extraordinária, que evidencia como as democracias ocidentais estão evoluindo".

Já o primeiro-ministro britânico, David Cameron, negou que o resultado do referendo holandês vá impulsionar a campanha pela saída do Reino Unido da UE. "É uma questão totalmente diferente", comentou. Cameron, que faz campanha pela permanência, ressalvou, porém, que as autoridades europeias e holandeses devem ouvir com atenção a opinião popular, tentar entendê-la e levá-la em consideração.

AS/dpa/ard/afp

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