Putin rechaça "Panama Papers" e defende amigo

Presidente russo acusa EUA de orquestrarem plano para enfraquecer Moscou com denúncias envolvendo empresas offshore. Líder afirma que violoncelista próximo de sua família citado no escândalo não fez nada de errado.

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, negou nesta quinta-feira (07/04) qualquer ligação com contas offshore e descreveu o vazamento dos chamados Panama Papers como um plano orquestrado para desestabilizar a Rússia.

Em um evento em São Petersburgo, Putin acusou os Estados Unidos de estarem atrás da campanha de desinformação que visa enfraquecer seu governo.

"Eles estão tentando nos desestabilizar a partir de dentro para nos tornar mais submissos", acusou, acrescentando que Washington espalha as alegações de corrupção na Rússia, pois está preocupada com o crescimento do poder econômico e militar do país. "Os eventos na Síria mostraram a capacidade russa de resolver problemas muito além das suas fronteiras", argumentou.

Putin disse que a mídia ocidental divulgou as acusações de seu suposto envolvimento em negócios offshore apesar de seu nome não aparecer em nenhum dos documentos vazados do escritório de advocacia e consultoria panamenho Mossack Fonseca.

Defesa do melhor amigo

O presidente defendeu ainda Serguei Roldugin, tido como seu melhor amigo. O violoncelista aparece nos Panama Papers como dono de pelo menos três companhias offshore de uma rede de empresas comandadas por pessoas de confiança de Putin, que movimentou mais de 2 bilhões de dólares.

Putin afirmou que Roldugin, que é padrinho da filha do presidente, não fez nada de errado e que usou quase todo o dinheiro que ganhou com os negócios no exterior para comprar instrumentos musicais que foram doados a instituições públicas na Rússia.

"Sem se autopromover, ele também trabalhou para organizar concertos e promover a cultura russa no exterior. E usou seu próprio dinheiro para isso. Quanto mais pessoas como ele tivermos, melhor será. Tenho orgulho de ter amigos como ele", afirmou Putin.

Os chamados Panama Papers, divulgados pelo jornal alemão Süddeutsche Zeitung, revelaram detalhes de centenas de milhares de clientes da consultoria Mossack Fonseca, que supostamente utilizam paraísos fiscais no exterior para evasão fiscal, lavagem de dinheiro e tráfico de drogas e armas.

CN/rtr/ap/afp

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